Ferrari, inconformada, recorre à justiça comum para punir a McLaren

liviooricchio

30 de julho de 2007 | 21h28

30/VII/07

Logo em seguida à FIA anunciar, quinta-feira, em Paris, que a McLaren não seria punida apesar de dispor de vasto material confidencial da Ferrari, Luca di Montezemolo, presidente da Ferrari, inconformado, mandou um recado aos fãs da equipe italiana: “Fiquem tranqüilos, essa história não termina aqui.” Estava mesmo falando a verdade. A Ferrari está entrando hoje na Justiça comum para tentar corrigir o que considera um “escândalo.”

Não foi só Montezemolo e Jean Todt, diretor-geral da Ferrari, que não aceitaram a decisão de a McLaren sair limpa da acusação de seu projetista-chefe, Mike Coughlan, ser o receptor dos arquivos roubados pelo ex-mecânico-chefe dos italianos, o inglês Nigel Stepney. Entusiastas da F-1 no mundo todo consideraram a impunidade lesiva ao interesse do esporte.

A edição de ontem da Gazzetta dello Sport, diário também pertencente ao grupo Fiat, como a Ferrari, traz o que definiu como “contra-ofensiva” da equipe. Hoje o departamento jurídico de Maranello entra no fórum de Modena com uma ação reunindo todas as provas que a Ferrari possui do roubo, a admissão da FIA, de reconhecer que o time inglês, de fato, estava de posse dos arquivos técnicos, e do próprio pronunciamento de Ron Dennis, sócio e diretor da McLaren. Ele admitiu que “um dos seus funcionários dispunha de informações secretas da Ferrari desde março.”

Por precatória, a Justiça italiana irá ouvir os envolvidos no caso. Solicitará, também, o depoimento de Coughlan à corte de Londres, o famoso “affidavit”. O próprio jornal reconhece, no entanto, tratar-se de um processo longo. Se o processo que acusava os proprietários e projetista da Williams pela morte de Ayrton Senna servir de referência, o estreante Lewis Hamilton vai estar aposentado da F-1 e não haverá decisão final.

Domingo será disputado o GP da Hungria. Na Itália, Massa disse que a melhor resposta que a Ferrari pode dar à McLaren é “vencer na pista.” Parece estar gostando do favoritismo que a maioria atribui à adversária, pelas características da pista – travada: “Todos acham que não é um bom traçado para nós. Treinamos em Mugello (semana passada) e experimentamos novidades interessantes no carro.

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