Ferrari lança hoje (28/I) o "carro da volta por cima"

liviooricchio

27 de janeiro de 2010 | 18h15

28/I/10
Livio Oricchio, de Nice, França

Em 2008, a Ferrari foi campeã entre os construtores, com 172 pontos, diante de 14 da Honda, nona colocada, equipe que deu origem à Brawn GP. E seu piloto Felipe Massa não foi campeão por somar um ponto a menos de Lewis Hamilton, da McLaren, 98 a 97. No ano passado, a Ferrari foi apenas a quarta classificada no Mundial de Construtores, com 71 pontos, contra 172 da Brawn GP, ou seja, conquistou impressionantes 101 pontos a menos.

É contra essa situação nada condizente com a sua história de extraordinário sucesso na Fórmula 1 que a Ferrari lança hoje, em Maranello, o modelo que será pilotado por Felipe Massa e Fernando Alonso. “O carro da volta por cima”, como definiu seu diretor geral, Stefano Domenicali, em Madonna di Campiglio, na Itália, há duas semanas.

“O fim do reabastecimento de combustível implicará rever muita coisa no projeto. Acredito no nosso grupo de trabalho. Sem ter de acomodar o Kers (sistema de recuperação de energia) no carro acho que será mais difícil produzir um Fórmula 1 com tantos problemas de equilíbrio, como o nosso do ano passado”, comentou Massa no mesmo evento da sua equipe na estação de esqui. Domenicali concorda: “Colocar 50 quilos de equipamento no carro, como foi o caso do Kers, comprometeu o projeto. Agora os times concordaram em não mais usá-lo.”

Como sempre, a Ferrari deixará para o dia da apresentação do seu novo modelo o anúncio do nome. O do último campeonato era F60, em homenagem aos 60 anos da escuderia na Fórmula 1. Se voltar a sistemática antiga, agora, o monoposto de Massa e Alonso deverá ser o F2010.

A coordenação do projeto continua sob a responsabilidade do grego Nikolas Tombazis e do italiano Aldo Costa. Eles tem de acertar desta vez. Outro equívoco, como em 2009, implicará nova mudança estrutural no departamento de projeto da Ferrari que já sente falta da dupla Rory Byrne e Ross Brawn dos tempos de Michael Schumacher e tantas vitórias. Byrne tornou-se um distante consultor.

Alonso já adiantou à torcida que título pode não vir na primeira temporada. E citou Schumacher que estreou na Ferrari em 1996 e apenas em 2000 foi campeão. Já a Ferrari lança sobre o espanhol a responsabilidade maior de ditar os rumos do projeto, por onde caminhar para desenvolver o carro.

Como já realizou esse trabalho com enorme competência na Renault, a ponto de conquistar os mundiais de 2005 e 2006, os italianos vão esperar mais dele que de Massa nesse aspecto. O tratamento aos pilotos, no entanto, será o mesmo.

Hoje provavelmente Massa deverá realizar o chamado shakedown do modelo 2010 na pista de Fiorano, do outro lado da rua onde se encontra a sede de Maranello. O primeiro teste será segunda-feira em Valência, com o próprio Massa. Parte do dinheiro arrecadado para assistir ao ensaio será destinada às vítimas do terremoto no Haiti.

Assim como todos na McLaren, hoje, vão estar atentos na internet às soluções técnicas incorporadas pela Ferrari no carro de 2010, amanhã será a vez de os italianos seguirem de perto a apresentação do MP4/25 da McLaren, de Lewis Hamilton e Jenson Button, agora sem a sociedade com a Mercedes.

Já Michael Schumacher, em entrevista ao diário alemão Bild, publicada na edição de ontem, confessou que pretende não só cumprir o contrato de três anos com a Mercedes como, “talvez, até permanecer depois na Fórmula 1”. Dia 3 de janeiro o piloto alemão, sete vezes campeão do mundo, completou 41 anos de idade. Em 1957, o argentino Juan Manuel Fangio venceu seu quinto campeonato quando já tinha 46 anos. Será que Schumacher está atrás também desse recorde?

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