Ferrari não está onde gostaríamos, diz Alonso

liviooricchio

22 de fevereiro de 2012 | 17h11

22/II/12

Livio Oricchio, de Nice

  Fernando Alonso reconheceu ontem, depois do segundo dia de treinos no Circuito da Catalunha, em Barcelona: “Não estamos onde gostaríamos. Não estamos tão competitivos como pensávamos para Melbourne (abertura do Mundial, dia 18)”. A Ferrari fez um carro completamente novo, com soluções inovadoras e até agora não compreendeu seu verdadeiro potencial. No ensaio de ontem, Alonso completou 87 voltas na pista espanhola de4.655 metrose registrou 1min23s180, terceira melhor do dia. O mais rápido foi o alemão Nico Hulkenberg, da surpreendente Force India, com 1min22s608 (112 voltas). A temperatura ambiente variou de6 a19 graus Celsius.

  Enquanto o bicampeão do mundo, Sebastian Vettel, da Red Bull, e Lewis Hamilton, da vice-campeã, McLaren, se davam ao luxo de simular um GP, ontem, restando ainda seis dias de testes para o encerramento da pré-temporada, Ferrari e Mercedes, os times que mais investiram para se aproximar da Red Bull e McLaren, procuravam ainda entender seus modelos de 2012. Alonso falou mais do momento da Ferrari: “É verdade que deveríamos já saber mais do carro, mas ele é muito complexo de ser entendido”. E afirmou: “Não somos os mais rápidos, tampouco os mais lentos”. Fez uma comparação para falar do estágio da Ferrari, tentando diminuir as dúvidas citadas inicialmente: “É como se o Real Madrid chegasse a sua concentração, em julho, e lhe fizessem essa pergunta. Até que comece o campeonato é difícil saber onde estamos”.

  Para a Ferrari se apresentar no GP da Austrália em condições de desafiar a Red Bull e a McLaren será necessário que hoje e amanhã, com Felipe Massa ao volante do F 2012, e depois nos quatro dias finais de testes, de 1.º a 4 de março, o projetista Nikolas Tombazis e seu grupo de engenheiros encontrem as soluções para os sérios problemas enfrentados até agora. “Sofremos, por exemplo, nas saídas de curvas”, disse Alonso. Mas não citou o mais importante, a falta de lógica no comportamento do carro. Quando se espera que reagirá de determinada maneira, surpreende com outra reação, tornando quase impossível encontrar o melhor acerto para a pista.

  O terceiro tempo de Vettel, ontem, 1min22s891, não representa o potencial do modelo RB8-Renault. O alemão não se preocupou em aproveitar o instante mais rápido do circuito, de manhã, e com pneus supermacios estabelecer as melhores marcas, como fizeram Hulkenberg e Sergio Perez, da Sauber, primeiro e segundo. A Red Bull quis conhecer o comportamento do seu modelo de 2012 durante uma corrida e com mais de um tipo de pneu. E teve um agradável surpresa: o RB8 é veloz, constante e confiável. Esse foi também o resultado do simulado da McLaren, com Hamilton. “Nossa base é melhor que a do ano passado”, afirmou o campeão do mundo de 2008. O jovem inglês completou 120 voltas, com 1min23s806 na mais rápida, sexto. A Pirelli coloca a disposição das equipes os quatro tipos de pneus deste ano, supermacios, macios, médios e duros. As diferenças entre eles é bem pequena, ao contrário do ano passado.

 A exemplo da Ferrari, a Mercedes sofre ainda com seu novo carro, bastante distinto do de 2011. Ontem Nico Rosberg perdeu parte do treino da tarde em razão de uma perda de óleo na transmissão. Mas ainda assim completou 82 voltas, com 1min24s555, sétimo. Hoje Michael Schumacher, cada vez mais perto de renovar o contrato com a Mercedes, aos 43 anos, pilota o modelo F1 W03. E se a Fórmula 1 fosse uma competição apenas de resistência a Williams começaria bem a temporada. Ontem, o finlandês Valtteri Bottas percorreu 117 vezes o Circuito da Catalunha, com 1min25s738, oitavo. Bruno Senna, titular da Williams, elogiou a confiabilidade do modelo FW34-Renault, mas cobrou maior velocidade, em especial nos trechos mais lentos.

 

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