Ferrari sai em defesa de Massa

liviooricchio

11 de novembro de 2010 | 11h53

11/XI/10

Livio Oricchio, de Abu Dabi

  Os números são impressionantemente contra Felipe Massa. Do GP da Alemanha, dia 25 de julho, 11.º do calendário, ao do Brasil, domingo, 18.º, somou 76 pontos e chegou 3 vezes ao pódio. Já o companheiro de Ferrari, Fernando Alonso, lidera o Mundial e nesse mesmo período conquistou 148 pontos, quase o dobro, venceu 4 corridas e, no total, foi 7 vezes ao pódio. Falhou apenas no GP da Bélgica, quando errou e bateu.

  Mas os números, segundo a direção da Ferrari deixou claro, ontem, no circuito Yas Marina, em Abu Dabi, onde domigo será disputada a decisão do campeonato, são ingratos com Massa.  Expressando o ponto de vista do diretor da equipe, Stefano Domenicali, o assessor de imprensa italiano, Luca Colajanni, explicou que, se o desempenho do piloto for analisado etapa a etapa, será possível compreender que, apesar de distante do de Alonso, é superior ao que os números sugerem.

  Na Alemanha, disse Colajanni, todos sabem o que aconteceu. A Ferrari ordenou Massa deixar Alonso ultrapassá-lo para o espanhol, mais bem colocado no Mundial, vencer. Na Hungria, Massa classificou-se em quarto, pista em que a Red Bull não teve adversários. Na prova de Spa-Francorchamps, na Bélgica, Massa acabou em quarto e Alonso se acidentou. Na Itália, o espanhol deu um show e foi primeiro, com Massa em terceiro.

  Ainda de acordo com as explicações de Colajanni, Massa não poderia ter feito mais que o 8.º lugar em Cingapura por largar em último, decorrência da quebra do câmbio na definição do grid. No Japão, Massa manifestou mais os problemas de aquecimento dos pneus que Alonso. Largou em 12.º enquanto o asturiano, 5.º. Na corrida arriscou tudo na largada e não só abandonou como levou consigo Vitantonio Liuzzi, da Force India. Não foi punido por causa da falta de critério dos comissários.

  Na Coreia do Sul Massa realizou bom trabalho ao receber a bandeirada em 3.º, em outro desempenho notável de Alonso, 1.º. E finalmente domingo, em Interlagos, não fosse a roda dianteira direita não ter ficado presa no pit stop, o que obrigou Massa regressar aos boxes, teria sido o 5.º ou o 4.º colocado.

  Ontem, depois de visitar o impressionante parque temático Ferrari World, ao lado do não menos suntuoso Yas Marina Circuit, Massa comentou a posição da Ferrari: “Descobrimos que em São Paulo o problema foi na pistola de ar (usada para fixar a porca da roda). Sairia dos boxes na frente do Jenson Button, 5.º na prova.”

  Quanto a sua imagem bastante danificada com a diferença de desempenho para Alonso, Massa disse: “Não levo comigo para o carro o que as pessoas pensam, até porque elas veem só a classificação final. Procuro, sim, entender as razões.” Tudo o que espera é que o novo carro e, principalmente, os pneus Pirelli, substitutos dos Bridgestone, tenham comportamento distinto dos deste ano. “Estou me preparando já para 2011.” Antes disso, porém, vai assitir ao jogo da seleção brasileira de futebol contra a Argentina, quarta-feira, em Doha, no Qatar.

  Apesar da compreensão do diretor da Ferrari quanto a sua falta de resultados, em comparação a Alonso, Massa recebeu um recado de Colajanni. O assessor afirmou que nunca Alonso precisou tanto de Massa como no GP de Abu Dabi.

  Para o italiano, seria fundamental Massa entrar na disputa pelas primeiras colocações, como se espera que vá ocorrer entre Alonso e a dupla da Red Bull, Sebastian Vettel e Mark Webber, com quem luta pelo título. Ao espanhol basta o segundo lugar para garantir o campeonato. Mas diante da esperada superioridade da Red Bull, sua tarefa não será fácil. Com Massa entre os primeiros, como deseja a Ferrari, sua missão seria menos ingrata.

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