Ferrari volta a dominar os treinos em Bahrein

liviooricchio

27 de fevereiro de 2007 | 19h24

Como você, eu também desejo mudar o disco e parar de falar sobre os testes da pré-temporada. Eles acabam quinta-feira. Mas não dá, também, para ignorá-los. Hoje, por exemplo, Felipe Massa, de novo, mostrou estar muito bem preparado para o início do campeonato.

Completou nada menos de 102 voltas no traçado de 5.412 metros de Sakhir, em Bahrein, e estabeleceu a melhor marca dentre os 17 pilotos que treinaram, 1min31s260. Também mais uma vez Massa registrou uma marca melhor que a do companheiro de Ferrari, Kimi Raikkonen, com 1min31s539 (95 voltas). Os dois simularam, pela manhã, um GP, com 57 voltas, e à tarde trabalharam em programas distintos.

Massa mexia no acerto do F2007 e verificava suas reações. Já Raikkonen testou novos componentes do conjunto aerodînâmico, provavelmente a versão definitiva do modelo italiano para as três primeiras corridas do ano, Austrália, Malásia e Bahrein, em que os equipamentos não regressam à Europa. Hoje os dois trocam de papel.

O fato de os novos componentes terem sido primeiro testados por Raikkonen não deixa de ser uma mostra de prestígio de Massa. Agora que os engenheiros e os mecânicos têm já melhor informação de como o F2007 se comporta será a vez de Massa acelerá-lo.

Pode até ser que ao longo do Mundial as coisas tomem rumo oposto, mas neste instante a importante formação técnica desenvolvida por Massa, ano passado, e sua maior sensibildade para repassar aos técnicos informações precisas do comportamento do F2007 estão lhe valendo uma condição de extraordinário respeito na Ferrari.

Raikkonen irá se adaptar ao carro, bastante distinto do da McLaren, à maneira de trabalhar da organização italiana, e aos pneus Bridgestone, novidade para ele. E será um piloto que deverá lutar pelas vitórias. Neste instante, porém, é inegável que Massa consegue tirar mais do F2007, bem como contar com a preferência dos engenheiros para lhes passar informações técnicas do carro.

Os resultados de quase toda a pré-temporada não são fruto do acaso. Tomara que na hora que for mesmo para valer, no circuito Albert Park, em Melbourne, Massa saiba administrar seu emocional e dê sequência à bela série de treinos que realiza desde o lançamento do F2007. Temos elementos para acreditar nisso.

A McLaren deve iniciar o Mundial num estágio de preparação que a lógica sugeria ser possível depois de cerca de 5 ou 6 etapas. Fernando Alonso fez, hoje, o terceiro tempo, com 1min31s851. E completou elevado número de voltas, 96. Realizou testes de avaliação dentre as opções de pneus disponíveis, mole e duro, e à tarde simulou um GP.

É nítido o que um piloto excepcionalmente capaz, como Alonso, faz numa equipe de Fórmula 1. Pode parecer um detalhe, mas é importante. Um engenheiro que saiba da sua existência no time sente-se, naturalmente, estimulado. Alonso já demonstrou o que pode fazer. Se sua escuderia não obtiver resultados, a Fórmula 1 inteira tem consciência de que a culpa não é sua, mas do equipamento que lhe confiam.

Uma ocasião, conversando com Adrian Newey, quem conheci numa semana de testes no Rio de Janeiro, no início de 1989, ele me disse: “Acredito que todo projetista gostaria de trabalhar com Michael Schumacher. Eu não sou diferente. Além de você ter a certeza de que estarão extraindo o máximo do seu projeto você se supera para tentar suprir essa espécie de fome de velocidade que pilotos como Michael têm.” Não fosse assim, como explicar a dupla Mike Caughlan e Pat Fry darem-se tão bem, ao menos aparentemente, na concepção do modelo MP4/22 da McLaren?

Mas nem tudo são flores na McLaren. O comunicado do time da Mercedes, hoje, cita que Lewis Hamilton não treinou as duas horas finais do dia por “causa de um vazamento de óleo.” Fosso pane hidráulica ou transmissão, viria discrimidado no comunicado, o que nos leva acreditar tratar-se de nova quebra de motor. Hamilton deu 55 voltas com 1mins32s193, o 5º.

Interessante, também, o tempo de Robert Kubica, com o BMW F1.07, 1min32s108, o 4º, mas foi o responsável por duas paralisações do treino, por permanecer parado no meio da pista. A impressão geral dentre os que acompanham os ensaios deste ano é que a BMW já dispõe de um monoposto veloz, mas não totalmente confiável. Foram poucos os dias em que Kubica e Nick Heidfeld não enfrentaram problemas no F1.07.

Giancarlo Fisichella não teve dificuldades com o R27 da Renault e percorreu 82 vezes o traçado barenita. Com 1min32s556 na melhor, o 6º. Já o parceiro, Heikki Kovalainen, protagonizou o acidente mais sério dos testes até agora. Bateu forte na curva 7 e semidestruiu o R27. Havia dado apenas 19 voltas, 1min32s688, o 7º. Kovalainen comentou, segundo a agência Reuters: “Felizmente todos os sistemas de segurança funcionaram e não sofri nada. Os danos foram grandes no R27. Não sei se amanhã pela manhã os reparos estarão concluídos.”

Amanhã conversamos também sobre os demais, combinado?

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