FIA assume o controle de gastos das equipes

liviooricchio

16 de junho de 2012 | 06h57

15/VI/12
Livio Oricchio, de Nice

Amigos, essa notícia, penso, não teve a repercussão que imaginava – e merecia – na imprensa internacional, ontem. Penso ser de extrema importância para a Fórmula 1, principalmente diante do quadro econômico sombrio que vivemos hoje aqui na Europa. Bom fim de semana a todos.

Os custos de uma equipe para disputar a Fórmula 1 têm de baixar ou, pelo menos, não crescerem. Essa é a orientação, básica, do presidente da FIA, Jean Todt. Na reunião de ontem do Conselho Mundial da entidade, em Paris, ficou claro que até 30 de junho o conjunto de regras que estabelece o limite de ações dos times, a fim de que não gastem mais dos cerca de 200 milhões de euros (R$ 500 milhões) de hoje, deve estar definido.

E a grande novidade em relação ao que existe atualmente é a FIA assumir, a partir do ano que vem, a verificação de quem as está respeitando ou não. Agora a responsabilidade é das próprias escuderias e, claramente, ineficaz.

São exemplos de limitações impostas pelo chamado Acordo de Restrição de Investimentos (RRA), estabelecido entre as equipes: um time não pode trabalhar mais de 40 horas por semana no túnel de vento, apenas 47 integrantes da área técnica podem se deslocar aos Gps, o número de funcionários na fábrica se relaciona ao investimento declarado: quanto mais elevado, menor o quadro de profissionais.

Há outras restrições, como a carga de trabalho aos sábados nos circuitos ser das 8 às 18h30, a impossibilidade de o piloto mudar de carro no mesmo dia, dentre outras medidas que visam a conter as despesas, acertadas com a FIA, a exemplo do limite de 8 motores por piloto por ano e o câmbio não poder ser substituído por 5 etapas.
 
Há discordância significativas entre as equipes quanto ao RRA. A Red Bull, por exemplo, não o reconhece, ao menos nos termos do definido em Cingapura, em 2010. Na realidade, Christian Horner, diretor da Red Bull, assinou o documento acordado com as escuderias, mas Helmut Marko, dirigente acima dele na organização austríaca, avisou os times que Horner não tinha autorização para definir por conta própria a esse respeito.

E essa é a grande discussão, hoje, na Fórmula 1, com respeito a limite de custos: virou uma avacalhação. Luca di Montezemolo, presidente da Ferrari, dentre outros, solicitou a Todt a intervenção da FIA na história. E o comunicado de ontem da entidade começa com “Atentendo ao pedido das equipes…”

Todt sentiu a necessidade de usar sua autoridade para tentar conciliar os interesses e definir um texto final para o RRA, assinado por todos, até o fim do mês. O fato de tudo estar no ar, hoje, com a escuderia bicampeã do mundo a contestá-lo, faz com que não possa existir punição aos infratores. Com a FIA entrando no negócio e as regras acertadas até o fim do mês, tudo muda de figura.

Montezemolo lembrou, ainda, que foi, essencialmente, essa desunião quanto ao RRA que gerou a saída do seu time da associação das equipes, Fota, em dezembro do ano passado.

Todt tem pressa em definir o acordo porque a data limite para uma regra valer para a temporada seguinte é sempre 30 de junho. Além da data, é preciso que todos concordem com a mudança, enquanto agora a aprovação se faz com a maioria, sem a necessidade de unanimidade.

O tema conter despesas na Fórmula 1 é controverso e por melhor que as regras sejam definidas nas reuniões em curso com toda certeza haverá acusações ao longo de 2013.

O bom para a Fórmula 1 é que o RRA passa a ter caráter oficial com a chancela da FIA e quem não acatá-lo será punido. Quem julgará se uma equipe infringiu o acordo ou não é a FIA, não as próprias equipes. Todos passam a competir sob as mesmas regras de limitação de investimentos, fundamental diante da realidade economica mundial, o que eleva a importância da capacidade de quem gerencia os orçamentos e tende a tornar a disputa mais justa e equilibrada.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.