FIA/FOM X Fota: a luta é por dinheiro

liviooricchio

18 de março de 2009 | 10h50

18/III/09

Amigos: esse é o texto original do que saiu hoje, quarta-feira, no Estadão

Se havia ainda alguma dúvida sobre o lado em que Molsey penderia na disputa entre Bernie Ecclestone, o presidente da Formula One Management (FOM), e a associação das equipes (Fota), foi desfeita ontem.
O anúncio da FIA começa assim: “O Conselho Mundial aceitou a proposta da FOM para se chegar ao título.”

Ecclestone queria esse critério. A diferença é que daria medalhas aos três primeiros nas provas, como na Olimpíada. Mosley manteve a ideia do amigo que o levou à presidência da entidade, em 1991, fruto de uma relação de amizade, hoje, de 40 anos. Só não distribuirá medalhas. A Fota fez pesquisa com fãs da Fórmula 1, no mundo todo, e propôs 12 pontos ao vencedor (em vez de 10), 9 ao 2º colocado (8), 7 (6) para o terceiro e as demais colocações permaneceriam iguais.

Mosley não teve sensibilidade para enxergar a legitimidade do sugerido pela Fota. Curiosamente, acusou os líderes das escuderias de “insensíveis à invasão da sua privacidade”quando estourou há exato um ano o escândalo sadomasoquista em que se envolveu.

A Fota reagiu de imediato, ontem: “Desejamos expressar nossa desilusão e preocupação com o que foi definido unilateralmente”, traz sua nota. E chama a atenção para o que Mosley também já estabeleceu para 2010: limite de orçamento de 33 milhões de euros (cerca de R$ 100 milhões), ou 20% do que as principais escuderias vão investir este ano.

“Esta medida coloca em risco a essência da Fórmula 1 e os princípios que a rendem como um dos esportes mais populares e atraentes do mundo.”
A discussões entre FOM e Fota existem desde que esta foi criada, no ano passado. Em mais de 50 anos de história da Fórmula 1 nunca as equipes tomaram posições conjuntas e unânimes como agora.

Ao ordenar que os orçamentos limitem-se a 33 milhões de euros, automaticamente Mosley busca arrefecer a exigência da Fota de cobrar maior participação no arrecadado pela FOM de Ecclestone. Essa é a verdadeira razão da briga política entre FIA/FOM, hoje quase uma coisa só, e Fota: dinheiro. A Fota já avisou ontem que deseja revisão urgente da limitação orçamentária.

Com certeza a entidade das equipes vai radicalizar. Se a FIA não recuar pode haver um racha de consequências sem precedentes na história da Fórmula 1. E logo. Mosley já trabalhou contra a enorme expectativa criada pelo campeonato que vai começar dentro de pouco mais de uma semana. A pré-temporada sugere outro Mundial emocionante como os últimos anos.