Fica tudo como está: Massa é mesmo o vencedor do GP da Bélgica

liviooricchio

23 de setembro de 2008 | 16h05

23/IX/08
Livio Oricchio, de Frankfurt

Felipe Massa vai iniciar sua preparação para o GP de Cingapura, amanhã, a primeira das quatro etapas finais do campeonato, apenas um ponto atrás do ainda líder do Mundial, Lewis Hamilton, 78 a 77. Segunda-feira o Tribunal de Apelo da FIA, reunido em Paris, sequer considerou o recurso da McLaren, time de Hamilton, conforme foi possível compreender pelo comunicado distribuído ontem pela entidade.

Advogados do time inglês tentaram provar que a manobra de seu piloto ao ultrapassar Kimi Raikkonen, da Ferrari, no GP da Bélgica, foi legal e, dessa forma, a punição de drive-though, imposta pelos comissários, não caberia. Os comissários entenderam que Hamilton tirou vantagem ao cortar a chicane.

Se a defesa da McLaren tivesse sido acatada, Hamilton retomaria o primeiro lugar e Massa cairia para segundo. E ambos entrariam na pista já amanhã, nos treinos livres da primeira corrida noturna da história da Fórmula 1, separados não por um, mas sete pontos de diferença a favor de Hamilton, 82 a 75. Não foi o caso.

A FIA ouviu as explicações não só dos representantes da McLaren como da Ferrari, que pediu para estar presente também com advogados e seu diretor-esportivo, Stefano Domenicali. O comunicado de ontem da FIA não poderia ser mais claro: “O artigo 152 do Código Esportivo Internacional define que punições como drive-though não são suceptíveis de apelo”.

A sessão do tribunal reunida segunda-feira foi presidida pelo monegasco Philippe Narmino e teve, ainda, Harry Duijm, da Holanda, Erich Sedelmayer, Áustria, Xavier Conesa, Espanha, e Thierry Julliard, Suíça. “Depois de ouvir os argumentos das partes a corte concluiu que o apelo é inadmissível”, traz o texto da FIA.

A Ferrari informou que ninguém da escuderia irá se manifestar a respeito da decisão que não deixa de lhe ser bastante favorável. Apenas Massa lembrou, ainda na Itália, que o fato de os pilotos quase unanimemente terem reconhecido a vantagem de Hamilton ao cortar a chicane na Bélgica não poderia ser desprezada. E não foi mesmo.

A leitura dos comissários da prova em Spa-Francochamps era soberana pelo que o Tribunal de Apelo informou, ontem. O francês Nicholas Deschaux, o queniano Surinder Thatthi e o belga Yves Bacquelaine foram os comissários desportivos que decidiram pela punição a Hamilton.

Ainda na Bélgica também, Flavio Briatore, diretor da Renault, já havia comentado não acreditar em mudanças no definido pelos comissários: “Seria como se dias mais tarde de uma partida de futebol os homens que o dirigem alterassem o resultado por concluírem não ter sido pênalti, por exemplo.”

Também através de comunicado, Hamilton comentou, ontem, o resultado do Tribunal de Apelo: “Estou desapontado, sim, mas não deprimido”, disse. “Tudo o que desejo fazer é deixar esse assunto para trás e prosseguir com o que nós, pilotos, melhor fazemos: competir.” O diretor-geral da McLaren, Martin Whitmarsh afirmou que o apelo da equipe deveria ao “menos ser considerado”.

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