Ficou menos difícil para Vettel ser tricampeão

liviooricchio

24 de novembro de 2012 | 15h59

24/XI/12
Livio Oricchio, de São Paulo

A tarefa de Sebastian Vettel, da Red Bull, para chegar amanhã ao tricampeonato no GP do Brasil tornou-se menos complexa depois da sessão que definiu o grid, ontem, em Interlagos. O alemão não foi além da quarta colocação, mas seu adversário na luta pelo título, Fernando Alonso, da Ferrari, 13 pontos atrás na classificação (273 a 260), obteve resultado ainda pior, oitavo.

Para facilitar as coisas para Vettel, a dupla da McLaren vai largar na primeira fila. Lewis Hamilton é o pole position da última etapa da temporada e Jenson Button larga em segundo. O parceiro de Webber, vencedor do GP do Brasil em 2009 e 2011, fez o terceiro tempo, ontem. Como para Alonso ser campeão é preciso receber a bandeirada no mínimo entre os três primeiros e ainda torcer para uma má colocação de Vettel, a disposição dos pilotos no grid elevou bastante o desafio do espanhol.

A chuva não atrapalhou a sessão de classificação como Alonso tanto desejava, a fim de mascarar as dificuldades do modelo F2012 da Ferrari. Apenas na primeira parte, o Q1, o asfalto tinha ainda alguns pontos molhados. Depois secou completamente conforme atesta a marca de Hamilton na pole position, 1min12s458.

Os dois ingleses da McLaren na primeira fila representam uma boa notícia para Vettel pois mesmo que Alonso vença lhe basta o quarto lugar amanhã para ser campeão. Por mais que o desempenho da Ferrari seja melhor em corrida se comparado ao treino de definição no grid, não há indícios desta vez de que Alonso poderá superar os pilotos da McLaren.

A escuderia inglesa está muito rápida, Hamilton estimulado para terminar em alta sua trajetória na McLaren e ajudar a equipe a terminar em segundo entre os construtores também, na frente da Ferrari. A luta equivale a um prêmio de US$ 25 milhões (R$ 50 milhões).

Já Vettel nas últimas seis corridas obteve quatro vitórias um terceiro e uma segunda colocação e a Red Bull venceu as três últimas edições do GP do Brasil. Com esse retrospecto impressionante, para Vettel terminar a corrida na quarta colocação não representa tarefa das mais difíceis.

Na realidade, não representaria não fosse a previsão de chuva para São Paulo amanhã à tarde, variável capaz de mudar muita coisa na história do 41.º GP do Brasil e, por conseguinte, da própria temporada.

Está claro para Alonso que a única chance que tem de tentar reverter a situação bastante desfavorável é, como disse seu engenheiro ao Estado, Andrea Stella, “chover para dar uma boa mexida na corrida”.

Webber poderá trabalhar para Vettel ao criar todo tipo de dificuldade para Alonso ultrapassá-lo com o objetivo de ao menos posicionar-se em terceiro, colocação mínima para o espanhol pensar, ainda, em ser campeão, desde que Vettel não seja o nono.

Vettel era um homem visivelmente menos tenso depois do treino de classificação. Sente-se muito mais seguro largando onde está. Até mesmo se chover sua posição é mais confortável, considerando-se onde está Alonso.

A Ferrari pode, no entanto, repetir a manobra de Austin e tirar Felipe Massa da quinta colocação no grid para Alonso subir uma e largar do lado impar, em sétimo, onde em geral traciona-se melhor. Haveria um custo diante da torcida, sem dúvida, mas os italianos não vão hesitar se considerarem ser importante para Alonso. A exemplo do GP dos EUA, Massa de novo foi mais eficiente que Alonso na classificação.

Bruno Senna, da Williams, mais uma vez acusou o golpe. As definições no grid não são o seu forte e vai largar em 12.º. Enquanto a aderência da pista estava baixa Bruno marcava tempos sempre entre os primeiros. A sua Williams ficou “nervosa”, como disse, à medida que o asfalto secava.

O GP do Brasil começa amanhã às 14 horas e terá transmissão ao vivo da TV Globo. Serão 71 voltas no traçado de 4.309 metros. A expectativa é de casa cheia, 70 mil torcedores que, segundo a previsão meteorológica, deve levar capa para Interlagos, pois choverá forte hoje em São Paulo.

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