Fim dos testes em Jerez e novas revelações

liviooricchio

14 de fevereiro de 2008 | 17h28

14/II
Os testes de Jerez de la Frontera terminaram hoje, quarta-feira, dia 14/II. Pelas informações que obtive com Luca Colajanni, da Ferrari, por telefone, até o início da temporada, dia 16 de março na Austrália, serão mais duas séries de ensaios coletivos, ambos no Circuito da Catalunha, em Barcelona, de 20 a 22 e de 25 a 27.

A McLaren, com a ausência da Ferrari, ficou com o melhor tempo dos três dias de treinos. Hoje Heikki Kovalainen registrou 1min17s974. No total, o finlandês completou 180 voltas no traçado de 4.428 metros de extensão. A melhor marca em Jerez ainda é a de Michael Schumacher, com a Ferrari de 2004, tempo de 1min15s650. Como Lewis Hamilton, parceiro de Kovalainen, ontem estabeleceu 1min19s429 (83 voltas), dá para concluir que o finlandês dispunha de condição distinta, como pouca gasolina e talvez até pneu novo.

Kovalainen ser o primeiro sem a presença da Ferrari e Lewis Hamilton não preocupado em simular uma sessão de classificação não representa novidade. Todos os pilotos estão dizendo que Ferrari e McLaren estão adiante das demais escuderias. Nos testes de Barcelona, a partir da próxima quarta-feira, Kimi Raikkonen e Felipe Massa, pela Ferrari, e Lewis Hamilton e Heikki Kovalainen, McLaren, irão expor melhor suas forças e a de seus carros, F2008 e MP4/23. Quero ver, também, a reação da Ferrari numa pista mais veloz, com curvas longas e rápidas.

Ao observar o quadro geral do treino, chama a atenção o número de voltas realizadas pela dupla da Red Bull, David Coulthard e Mark Webber. O escocês conseguiu completar 406 e o australiano, 404. Ou seja, Coulthard percorreu 1.797 quilômetros e Webber, 1.788. É muito mais de qualquer outro piloto. O modelo RB04 mudou pouco em relação a 2007, até Couthard e Webber já afirmaram. Claramente o objetivo de Adrian Newey e Geoff Willis no novo carro foi lhe dar confiabilidade, já que sua velocidade não era ruim no fim do campeonato. O resultado dá a entender que avançaram.

O FW30 da Williams é uma realidade. Tanto Nico Rosberg quanto Kazuki Nakajima estão entre os mais velozes, fora Ferrari e McLaren. O alemão fez 1min19s091 (292 voltas no total), quinto, e o japonês, 1min19s117 (376). Vi Nakajima correr na GP2, ano passado, e causou boa impressão geral, a não ser por ainda ter percentual de erro um pouco elevado. Uma coisa já é possível dizer: é melhor que o pai, Satoru Nakajima, ex-companheiro de Ayrton Senna, na Lotus-Honda, em 1987.

A BMW arriscou, com li na entrevista de Niki Heidfed, e não atingiu seu objetivo. “Para nos aproximarmos de Ferrari e McLaren nossa equipe tinha de assumir alguns riscos no projeto”, definiu o alemão. A equipe tentou mas, ao menos no primeiro momento, não conseguiu êxito. O F1.08 não é muito mais rápido que seu antecessor e, pior, não demonstra o mesmo equilíbrio.

“Ele sai de frente em algumas curvas e de traseira em outras”, explicou Heidfled durante os testes de Barcelona, do dia 1º ao dia 3, quando marcou 1min22s874, 8º, e Robert Kubica, 1min22s492, 6º. Sem os tempos dos dois primeiros, a dupla da Toro Rosso, seguramente mais leves, o melhor foi Lewis Hamilton, 1min22s135.

Nelsinho Piquet, com o Renault R28, deu sequência a seu exercício de piloto titular e procurou obter o máximo de quilometragem, 364 voltas (1.611 quilômetros). A velocidade do carro está longe da esperada por ele e Fernando Alonso. Tempo de Nelsinho: 1min19s660.

A Honda trabalhou hoje com Jenson Button e Alexander Wurz. O inglês não foi além de 1min20s988 (206 voltas no total do teste), o 15º no geral. E Wurz, hoje, ficou em 16º e último, 1min21s605, ou 22º no balanço total. Deixemos de lado a marca de Kovalainen hoje, 1min17s974, como está provado, em condição de classificação, mas tomemos como referência Hamilton, por exemplo, 1mins429, hoje também.

Isso significa que a nova Honda foi 1 segundo e 886 milésimos mais lenta que a nova McLaren. E essa é a menor diferença que um dos seus pilotos se aproximou dos tempos da McLaren. A Toyota não testou em Jerez porque esteve no circuito de Sakhir de 4 a 6 e de 9 a 11 deste mês. Seus resultados, no entanto, mostram apenas pequena evolução em relação a 2007.

A Honda não deu nenhum sinal de ter avançado alguns décimos que fossem, conforme o estado de debilidade do ano passado sugeriu que seria possível. A equipe recuperar um segundo não seria tão complexo porque o projeto do ano passado era completamente equivocado. Nem isso, ao que parece, conseguiram. Vale lembrar que quando Ross Brawn chegou na Honda, o modelo RA108, concebido por Jorg Zender e Louic Bigois, estava praticamente pronto. Como tantos aqui no blog já disseram: será outro início de temporada desgastante para Rubinho e Button.

Agora vou correndo para o estúdio porque o Reginaldo Leme já está lá para gravarmos um bate-papo sobre o que acabei de conversar com vocês.

Abraços!

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