Finalmente conheceremos quem são os melhores nesse início de campeonato

liviooricchio

15 de março de 2013 | 08h26

15/III/13
Melbourne

Amigos, redigi o texto a seguir para a edição impressa do Estadão antes da realização dos dois primeiros treinos livres, ocorridos hoje, sexta-feira. O coloco no ar, agora, sexta-feira. No Portal do Estadão já está no ar o texto produzido depois das duas sessões de hoje, com declarações dos pilotos e minha análise.
Abraços!

O texto:
A hora da verdade. Assim está sendo definida a sessão de classificação do GP da Austrália programada para a próxima madrugada, às 3 horas, horário de Brasília, 17 horas no circuito Albert Park, em Melbourne. Os dois treinos livres realizados na noite passada ainda foram mascarados por ninguém saber, por exemplo, a quantidade de gasolina no carro do concorrente. “Na definição do grid todos vão estar com os mesmos pneus, o mesmo volume de combustível e ao mesmo tempo na pista”, disse Fernando Alonso, da Ferrari. “Saberemos quem está melhor nessa fase inicial do ano.”

É por essa razão que muitas das atenções estarão voltadas para a escuderia Mercedes, que realizou a melhor pré-temporada, com ótimos tempos de Nico Rosberg, primeiro colocado, Lewis Hamilton, terceiro, e 5.224,1 quilômetros percorridos, atrás apenas da Sauber. A sessão de classificação no circuito Albert Park responderá se os números registrados pelo modelo W04 da Mercedes nos testes de Jerez de la Frontera e Barcelona de fato podem lançar Hamilton e Rosberg como candidatos à vitória amanhã, ao longo das 58 voltas da etapa de abertura do 64.º Mundial da história da Fórmula 1. Servirá, ainda, para ratificar ou não a esperada vantagem técnica do modelo RB9-Renault da Red Bull.

Nessa entrevista exclusiva para o Estado, o novo e acessível chefe da escuderia e diretor esportivo da Mercedes, o austríaco Toto Wolff, disse ter razões para acreditar que seu time irá ratificar a impressionante evolução demonstrada do ano passado para este. “O W04 representa o primeiro resultado do grupo técnico de trabalho que a Mercedes criou às pressas no começo de 2012”, explica Wolff.

“Nosso responsável por aerodinâmica, Loic Bigois, deixou a organização em fevereiro, pouco antes de o campeonato começar, e até os novos contratados se entrosarem nos custou, por exemplo, a má evolução do modelo do ano passado.” Bigois se transferiu para a Ferrari onde se dedica ao projeto de 2014, quando haverá radical mudança no regulamento técnico.

“Podemos afirmar que o W04 tem uma base melhor que o W03 de 2012”, avalia Wolff. “Os novos especialistas em aerodinâmica já trabalhando juntos há um ano poderão desenvolvê-lo corretamente e dar à equipe a constância que faltou no ano passado”, completou. “O W04 é melhor em todas as áreas”, afirmou Nico Rosberg, ao Estado. “Mas se tivesse de apontar uma onde mais sinto esse avanço é na forma como exploramos os novos pneus Pirelli, numa volta lançada apenas (como será na definição do grid) e durante a corrida, pois a simulamos em Barcelona.”

Hamilton, sempre muito concentrado no fim de semana em Melbourne, limitou-se a dizer, na coletiva de quinta-feira: “Nossa equipe está fazendo um trabalho fantástico, sinto-me realmente superestimulado, não vejo a hora de entrar no W04 novamente”.
Rosberg disse ainda ao Estado: “Ter Lewis como companheiro é um desafio”. Ao lado de Sebastian Vettel e Fernando Alonso são considerados os mais completos da atualidade.

“Relacionar-me com Lewis me obriga a melhorar como piloto. Sempre existe uma área onde o seu companheiro é mais forte e você pode aprender, crescer.” Rosberg teve como companheiro na Mercedes, desde 2010, reestreia da montadora alemã na Fórmula 1, Michael Schumacher, sete vezes campeão do mundo, mas já numa fase distinta da carreira, bem menos eficiente.

“Apesar de sentir todos no grupo entusiasmados com o que fizemos nos testes, eu prefiro esperar antes de dizer que temos carro para lutar com Red Bull, Lotus, Ferrari e McLaren”, diz Rosberg. “Mas não posso esconder minha confiança nesse projeto por ter sido concebido numa outra realidade, quero dizer outro ponto do processo de maturidade do grupo.”

Wolff declarou acompanhar de perto o trabalho de Hamilton e Rosberg. “Por enquanto estão indo muito bem, visando primeiro o interesse da Mercedes, que está aqui para vencer. Vou segui-los de perto.”

O que todos na Fórmula 1 esperam é que não chova na primeira sessão de classificação do ano. Mas a previsão do tempo não lhes deixa muita esperança. A informação disposta na sala de imprensa, atualizada, indica 90% de possibilidade de chuva.

Caso se confirme, outros fatores passam a ter peso exponencial no resultado, como a maior ou menor competência do piloto no piso molhado. E nesse caso a hora da verdade da Fórmula 1, para finalmente o carro mais veloz ser revelado, ficará, em princípio, para o GP da Malásia, no fim de semana seguinte, no Autódromo de Sepang. Mas seria surpreendente se não for o da Red Bull.

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