Fogo cruzado sobre a Brawn GP

liviooricchio

25 de março de 2009 | 07h51

25/III/09

Oficialmente o GP da Austrália começa hoje, quinta-feira, com a inspeção técnica dos carros. As dez equipes os levam até o box 1 do circuito Albert Park onde uma série de equipamentos ajuda o delegado técnico da FIA, o alemão Jo Bauer, fiscalizar se estão de acordo com o regulamento. E a munição de várias equipes, como Ferrari e Red Bull, já está pronta para ser utilizada contra a Brawn GP, escuderia de Rubens Barrichello. Acusação: o assoalho do modelo BGP 001 é irregular.

O campeonato nem começou e já existe o risco de o vencedor da etapa de abertura ser oficializado apenas depois de o Tribunal de Apelos da FIA julgar o recurso que será impetrato se Rubinho ou Jenson Button ganharem a corrida. “Na realidade, podemos apelar da decisão dos comissários a partir do momento que eles julgarem o assoalho da Brawn como legal, ou depois da classificação ou da corrida”, explicou Luca Colajanni, da Ferrari, enquanto alguns pilotos percorriam a pista correndo, sob a temperatura outonal de 20 graus, a fim de manterem o peso baixo. Todos perderam peso por causa do Kers. “Parece mais um desfile de moda”, brincou Nelsinho Piquet, da Renault.

Não há indícios de que Max Mosley, presidente da FIA, convoque o Tribunal de Apelações antes de a Fórmula 1 regressar à Europa, em maio, depois das quatro primeiras provas, na Austrália, Malásia, China e Bahrein. Pode até ser, ainda, que os pilotos da Toyota e da Williams tenham da mesma forma seus resultados contestados.

“O que desejamos é que a FIA esclareça o regulamento. O que a Brawn tem no seu carro representa uma vantagem. É a sua interpretação da regra, não acusamos ninguém da nada, mas diferimos da interpretação”, destaca o diretor geral da Ferrari, Stefano Domenicali.

Adrian Newey, diretor técnico da Red Bull, afirmou ontem no circuito Albert Park: “A vantagem que a Brawn tem com esse assoalho é de um segundo por volta”. Seu time irá protestar ao longo do fim de semana, adiantou.

A porção final do assoalho é voltada para cima, constituindo o chamado perfil extrator de ar. Essa curvatura permite que o ar sob o assoalho na parte central do carro aumente sua velocidade de escoamento. Como consequência, passa a gerar menor pressão aerodinâmica. Essa menor pressão embaixo do carro faz com que a pressão que o ar exerce sobre ele aumente. Não há uma pressão menor em baixo? Na prática isso se traduz por aumento da velocidade nas curvas.

A Brawn introduziu no seu assoalho furos que aceleram esse processo de escoamento do ar. Como não são visíveis, há grandes controvérsias sobre como funcionam. Parte da eficiência do modelo BGP 001 na pré-temporada relaciona-se diretamente a essa escolha técnica, decorrente de interpretação bastante particular do regulamento. “Eles encontraram inteligentemente uma brecha da regra”, afirmou Max Mosley, presidente da FIA. “Não vi nada ilegal no carro”, já manifestou-se Charlie Whiting, delegado de segurança da Fórmula 1.

“Não só nós, mas todas as equipes deverão adotar solução semelhante se a FIA confirmar nos tribunais a legalidade da solução da Brawn”, explicou Luca Colajanni, da Ferrari, ontem, em Melbourne.
FIM