Force India quer ser a Ferrari da Índia

liviooricchio

07 de fevereiro de 2008 | 17h14

07/II/08

De volta.

Como irei trabalhar na Páscoa, pois estarei na Malásia, acabei folgando o período do Carnaval. Em termos, porque tenho me dedicado à pesquisa do livro que produzo sobre a chegada da Fórmula 1no Brasil, em 1972, não válida pelo campeonato ainda, quem trouxe, como foi, como era organizado o evento, o surgimento de Ecclestone, os custos etc.

Mais: como este ano se celebra os 35 anos do GP do Brasil no Mundial, estou estudando para comparar o carro vencedor em 1973, a Lotus 72 de Emerson, com os candidatos a vitória este ano. Ainda: a indumentária dos pilotos nas duas eras, o serviço de resgate, atendimento médico, o circuito, enfim o que puder ser comparado nesses 35 anos entre 1973 e 2008.

Hoje a Force India apresentou seu carro em Mumbai, o centro financeiro da Índia. Vijay Mallya, o proprietário, voltou a usar o discurso de tentar fechar com os indianos, ou seja, pretende que seu projeto se transforme, ao menos quanto à torcida, na Ferrari da Índia.

O homem é esperto. Conversa com todos no paddock, sempre muito à vontade, fuma bastante, anda com a camisa desabotoada, nada de pompas, nem de longe lembra o protótipo dos proprietários de escuderias. No circuito de Xangai, ano passado, eu o entrevistava formalmente quando logo de cara me disse: “Estou dando de presente ao senhor Ecclestone 200 milhões a mais de telespectadores da segunda economia mais emergente no mundo”.

Comentou acreditar que pelo menos 20% do 1,1 bilhão de habitantes da Índia assistirá na TV à estréia oficial da equipe do seu país na Fórmula 1, na Austrália, e depois as demais corridas. “E se fizermos sucesso, como será o caso a médio prazo, esse universo vai crescer muito”, afirmou. Ontem, realisticamente, falou que espera, em 2010, conquistar posições no pódio, além de abrir espaço para um piloto indiano.

A sede da Force India continua no mesmo lugar: em frente à saída principal do circuito de Silverstone, que eu tantas vezes estive quando Gary Anderson era diretor-técnico da então Jordan. Hoje é comentarista da TV irlandesa e nossa amizade continua a mesma. Trata-se do time de menores dependências dentre todos na Fórmula 1. Quem comanda a área técnica, desde 2007, é outro profisional bem conhecido dos jornalistas, em razão da ótima relação que mantém com a maioria, Mike Gascoyne.

O modelo apresentado hoje, VJM01, com motor Ferrari, é na realidade o mesmo que estreou ano passado no GP da Bélgica, já sob a coordenação de Gascoyne. O carro 2008 entra na competição apenas mais para a frente no campeonato.

Mallya controla o grupo empresarial United Breweries, dono da marca de cerveja Kingfisher, que divulga seu nome nos carros, e da companhia aérea Kingfisher, dentre outras empresas. Seu orçamento para a temporada de Fórmula 1 já está definido: US$ 120 milhões.

O que me chama a atenção nas idéias de Mallya é sua consciência do que está fazendo. É tudo muito diferente de como agia o ex-ex-proprietário da escuderia, o russo Alex Schneider, do grupo Midland. “Ele subestimou a Fórmula 1”, afirmou Ecclestone para explicar sua saída do negócio.

Pode até acontecer o mesmo com Mallya, mas ao menos o indiano sabe o que necessita para fazer sucesso na competição e, como é seu objetivo, capitalizar dentro de seu próprio país, essencialmente. Dá para entender seu sonho de ganhar espaço na Índia. Nunca se despreza um mercado de uma nação com as características da Índia e de 1,1 bilhão de habitantes. Não é por acaso que os investimentos estrangeiros na nação só perdem para a China.

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