Frio compromete testes de Barcelona

liviooricchio

21 de fevereiro de 2013 | 20h49

21/II/13
Barcelona

O terceiro dia de treinos hoje (quinta-feira) aqui no Circuito da Catalunha foi utilizado por várias equipes para simular uma corrida. O resultado deixou os pilotos e engenheiros conscientes de que há muito trabalho ainda a ser feito para que os novos pneus Pirelli funcionem conforme o planejado.

“O frio aumentou. A degradação é muito elevada”, afirmou Fernando Alonso, da Ferrari, autor do melhor tempo, no comunicado da escuderia, com 1min21s875 (97 voltas), com pneus macios. A temperatura do asfalto variou de 9 a 19 graus.

Revoltou a imprensa presente no autódromo, hoje, a insensibilidade da direção da Ferrari em simplesmente não atender mais os jornalistas. Alonso e Felipe Massa, que treina amanhã com a Ferrari F138, só vão dar entrevista agora dia 4 de março, um dia depois do encerramento dos testes.

Romain Grosjean, da Lotus, simulou uma corrida, a exemplo de Jenson Button, da McLaren. “Fiz quatro pit stops”, contou o francês. Button explicou que os pneus são velozes na primeira volta, mas depois vão perdendo mais de um segundo por volta. “A questão dos pneus está condicionando os treinos por estarem sendo usados num cenário para o qual não foram projetados”, afirmou o inglês da McLaren.

Por não atingirem a temperatura de aderência, de 85 a 115 graus Celsius, depende do tipo do pneu, os carros escorregam demais, não dispõem da aderência estabelecida pelos pneus e, claro, acabam logo.

Na conversa com Mark Webber, um colega suíço perguntou como foi na sexta-feira do GP do Brasil do ano passado, quando as equipes tiveram a possibilidade de testar os pneus de 2013 (os mesmos a disposição agora no Circuito da Catalunha) nos treinos livres.

Webber respondeu: “Lá (Interlagos) a temperatura era bem mais elevada do aqui em Barcelona. Não tivemos os problemas que estamos enfrentando. Por isso estamos otimistas, quando formos a Melbourne, com o asfalto sempre mais quente que aqui, os pneus vão aderir mais, os carros escorregar menos e não teremos o impressionante graining destes testes”, explicou Webber.

É possível ver no paddock os pneus sendo lavados, por todas as escuderias, e o chamado “macarrão”, porções de borracha que se desprendem da banda de rodagem e se enrolam, permanecendo grudadas à banda, o que reduz de forma significativa a aderência. Tanto nos dianteiros quanto nos traseiros.

Paul Hembery, diretor da Pirelli, não presente em Barcelona, atendeu com exclusividade o Estado, por telefone: “Estamos no meio da pré-temporada, não enfrentaremos esse frio em nenhuma etapa do campeonato e as equipes realizam ainda experiências para ajustar os carros aos pneus”, explicou.

Lembrou, ainda, que os mesmos técnicos que no início do ano passado sinalizavam dificuldades semelhantes com os pneus reclamavam no fim da temporada de corridas chatas, com apenas um pit stop. “Quando chegarmos a Melbourne acreditamos que os Gps terão de duas a três paradas”, afirmou Hembery.

Amanhã, amigos, faço um balanço com números e análise desses quatro dias de testes. Espera-se mais frio e até chuva para amanhã.

Os tempos de ontem: Fernando Alonso (Ferrari), 1min21s875 (97), pneus macios; Nico Hulkenberg (Sauber), 1min22s160 (91), macios; Romain Grosjean (Lotus) 1min22s188 (119), macios; Nico Rosberg (Mercedes), 1min22s611 (108); Pastor Maldonado (Williams), 1min22s675 (79), macios; Valtteri Bottas (Williams), 1min22s826 (68), macios; Jenson Button (McLaren), 1min22s840 (71), duros; Adrian Sutil (Force India), 1min22s877 (78), macios; Mark Webber (Red Bull), 1min23s024 (108), médios; Jean-Eric Vergne (Toro Rosso), 1min23s366 (106), macios; Max Chilton (Marussia), 1min25s690 (58), macios; Giedo van der Garde (Caterham), 1min26s177 (93), macios.

Abraços!

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