Frio e terremoto assustam a Fórmula 1 na China

liviooricchio

15 de abril de 2010 | 06h05

15/IV/10

Livio Oricchio, de Xangai

  A temperatura mais alta do dia, ontem, na descampada região do Circuito Internacional de Xangai, não passou de 4 graus Celsius, mas a sensação térmica, gerada pela chuva e o vento, atingiu 1 grau apenas. Foi nesse cenário que pilotos e demais integrantes da Fórmula 1 desembarcaram na China, assustados também com o terremoto no país. Se o frio intenso persistir no fim de semana da quarta etapa do campeonato, será como correr sobre o gelo por conta da dificuldade de os pneus se aquecerem.

  “Vamos sair dos boxes com os pneus pré-aquecidos, a cerca de 80 graus, e como nessa pista há uma longa reta, a temperatura cairá fácil para 50 graus”, explicou Rubens Barrichello, da Williams, em conversa exclusiva com o Estado. “Deve dar um boa mexida no grid”, previu. “Mas na frente não acredito em mudança. A Red Bull é quem melhor aquece os pneus. Se eles já tinham uma vantagem aqui, a tendência é de se darem ainda melhor com esse frio”, projeta Rubinho.

 Os pneus oferecem sua melhor aderência quando a banda de rodagem atinge 100 graus Celsius. E como nunca se disputou o GP da China sob tanto frio, a Bridgestone concebeu seus pneus para os cerca de 22 graus médios das edições anteriores. Assim, dificilmente os pneus atingirão a temperatura em que poderão responder com o seu máximo, mesmo os pneus do tipo macio. Os duros são ainda mais difíceis de aquecer. “Muita gente terá problema sério de aderência”, explica o piloto da Williams, contente por seu carro ter menos dificuldades nesse aspecto.

  “Quando venci aqui (2004) nós usávamos camiseta no autódromo”, lembra Rubinho. No ano passado, a corrida foi realizada dia 19. Domingo, será dia 18, portanto na mesma época do ano. E mesmo com chuva, em 2009, a temperatura ficou na casa dos 20 graus. Na pré-temporada, em Valência, Jerez de la Frontera e Barcelona, não se treinou em nenhum instante sob o frio de Xangai.

  Parte dos jornalistas que chegou ontem à China teve de recorrer a shopping centers próximos dos hotéis para enfrentar a inesperada situação. “A previsão a disposição da Williams indica, ainda, possibilidade de chuva no domingo, mas sexta-feira e sábado a pista deverá estar seca”, disse Rubinho.

  Felipe Massa, da Ferrari, lidera o Mundial com 39 pontos, seguido pelo companheiro de equipe, Fernando Alonso, e pelo mais que favorito, agora, a vencer em Xangai, Sebastian Vettel, da Red Bull, ambos com 37 pontos. O atual campeão do mundo, Jenson Button, da McLaren, está em quarto, junto do piloto da Mercedes que está tirando algumas horas de sono de Michael Schumacher, Nico Rosberg, com 35. A disputa pela liderança é ponto a ponto. E no GP da China há essa variável nova, o frio intenso, que pode gerar surpresas.

  O terremoto de ontem atingiu a província de Qinghai, no Oeste do país, distante cerca de 3 mil quilômetros de Xangai, e não vai interferir na programação do evento. “Nós viajamos pelo mundo com a Fórmula 1 e, por vezes, convivemos com essas situações tristes. Lembro-me de um GP do Japão em que tudo começou a tremer no meu quarto de hotel, bem como um tufão obrigou o cancelamento das atividades do sábado”, comentou Rubinho. “O que podemos fazer é nos solidarizarmos com essa gente que enfrenta suas dificuldades.”

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