GP da Grã-Bretanha responderá quanto o teste de pneus ajudou a Mercedes

liviooricchio

29 de junho de 2013 | 14h13

29/VI/13

Silverstone

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O desempenho de Lewis Hamilton e Nico Rosberg ao longo das 52 voltas do GP da Grã-Bretanha, amanhã, no circuito de 5.891 metros de Silverstone, vão responder importante questão dentro da Fórmula 1: quanto o teste de pneus particular de três dias que a equipe Mercedes realizou em Barcelona, depois do GP da Espanha, a ajudou a reduzir o seu elevado desgaste dos pneus. Hamilton larga na pole position e Rosberg, em segundo.

No GP da Espanha no exigente traçado do Circuito da Catalunha, dia 12 de maio, Rosberg largou na pole position e Hamilton, em segundo. E lá em Barcelona a elevada solicitação dos pneus levou o modelo W04 da Mercedes perder rendimento de forma impressionante. Rosberg terminou o GP da Espanha em sexto e Hamilton em 12.º, uma volta atrás do vencedor, Fernando Alonso, da Ferrari.

A pista inglesa, hoje, é tão ou mais dramática quanto a espanhola no que diz respeito ao desgaste dos pneus, pela natureza de suas curvas, velozes e longas. Mais: a meteorologia prevê elevação da temperatura, amanhã, o que corrobora com o consumo dos pneus. Em outras palavras, será uma prova rigorosa de administração do uso dos pneus.

A Mercedes tem em Silverstone a primeira fila, como em Barcelona. Se Hamilton e Rosberg mantiverem ritmo bastante elevado ao longo da corrida, sem maiores manifestações de desgaste prematuro dos pneus, como já demonstraram em Mônaco e no Canadá, então ficará evidente que o teste de maio foi decisivo para o grupo coordenado pelo engenheiro Ross Brawn entender como reprojetar as suspensões, rever a aerodinâmica e acertar o carro para explorar as características dos pneus Pirelli. Por mais que sua engenharia fosse capaz, é pouco provável que sem o teste o desempenho do W04 crescesse tanto.

Depois do teste, nas ruas do Principado Rosberg largou na pole position e venceu. Em Montreal, Hamilton era o segundo no grid e recebeu a bandeirada em terceiro, 15 segundos atrás do vencedor, Sebastian Vettel, da Red Bull, depois de 70 voltas.

Pode-se dizer em defesa da Mercedes que nesses dois circuitos, Monte Carlo e Gilles Villeneuve, os pneus não são muito exigidos. Já em Silverstone o quadro é bem distinto. E novo triunfo será, portanto, conclusivo.

Christian Horner, diretor da Red Bull, já consultou a FIA, hoje, questionando se, a exemplo da Mercedes, pode também realizar um teste de pneus para a Pirelli. Horner tem certeza de que os mil quilômetros de teste que Hamilton e Rosberg fizeram, em Barcelona, tiveram influência direta no rápido crescimento de performance da Mercedes nas duas últimas etapas.

Já Mark Webber, piloto de Horner na Red Bull, não hesita em acreditar que tanto Hamilton quanto Rosberg não vão conseguir, amanhã, manter a diferença de desempenho impressionante demonstrada na definição do grid. Hamilton foi 604 milésimos mais veloz que Sebastian Vettel, companheiro de Webber, terceiro no grid, e 613 de Webber. É mais de meio segundo. Uma das maiores diferenças este ano.

“Eles tiraram grande proveito do teste, não serão lentos aqui, mas temos um carro muito equilibrado, refiro-me à condição de classificação e corrida”, disse Webber. Vettel também lembrou que na simulação de corrida que realizaram, hoje pela manhã, gostou muito do comportamento do modelo RB9-Renault em Silverstone.

A Red Bull tem a seu favor o impressionante histórico de vitórias do seu diretor técnico, Adrian Newey, em Silverstone. Seus carros venceram o GP da Grã-Bretanha em 1991, 1992, 1993, 1996, 1997, quando projetava para a Williams, 1999, 2000 e 2001, para a McLaren, e 2009, 2010 e 2012, para a Red Bull. Isso quer dizer que Newey foi primeiro em Silverstone em 11 vezes nos últimos 22 anos, ou seja, ganhou 50% das corridas.

A lendário pista inglesa é das que mais exige um refinado projeto aerodinâmico, capaz de combinar elevada geração de pressão aerodinâmico com a menor resistência ao ar possível. Mais: um projeto mecânico que acomode o conjunto aerodinâmico com perfeição, algo complexo. Não para Newey.

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