Há 30 anos, em Monza, a Fórmula 1 perdia Peterson

liviooricchio

13 de setembro de 2008 | 19h42

GP da Itália
Livio Oricchio, de Monza

Os colegas, técnicos, dirigentes que conviveram com ele confirmam a fama de ser um dos pilotos mais queridos da história da Fórmula 1. Não há registro de alguém que tenha de desgastado com ele. Afirmam, também, ter sido um dos mais velozes que conheceram, um verdadeiro talento natural. Os brasileiros conviveram com o sueco Ronnie Peterson mais de perto quando foi companheiro de equipe de Emerson Fittipaldi, em 1973, na Lotus.

“Um grande homem”, costuma dizer Emerson, seu amigo. Há 30 anos, no GP da Itália de 1978, em Monza, a Fórmula 1 perdia um ídolo, com fãs em todo mundo. Peterson morreu em consequência de um acidente na largada e de erro médico no hospital.

“Domingo (hoje) teremos uma cerimônia aqui no autódromo para lembrá-lo”, disse Bernie Ecclestone, promotor da Fórmula 1, em Monza. Não conseguiu ser campeão do mundo, mas sua velocidade impressionante o levou ao vice-campeonato na primeira temporada inteira, em 1971, com March, time de propriedade do atual presidente da FIA, Max Mosley, também em Monza. “Acho que ele nasceu sabendo pilotar, chegou à Fórmula 1 já pronto”, lembra.

De 1970, quando estreou, à última prova, disputou 123 GPs e como todo grande velocista, a exemplo de Gilles Villeneuve, não venceu muito: 10 vezes. Curiosamente, a melhor classificação final no campeonato foi em 1971 e na temporada em que faleceu, segundo. “Interlagos é a minha pista favorita”, dizia, com entusiasmo, o sueco. Em 1973, estréia do GP do Brasil no calendário, Peterson largou na pole position, na casa de Emerson, com a mesma Lotus.

A corrida em que Peterson morreu reuniu uma série de coincidências. “Foi a primeira a usar o farol para dar a largada”, explica Riccardo Patrese, piloto da Arrows, na época. Mas o diretor de prova, Gianni Restelli, acostumado com o ato de abaixar a bandeira para autorizar o início da competição, não esperou todos alinharem seus carros no fim do grid e deu a largada. Os que saíram de atrás, embalados, chegaram à freada da chicane mais velozes e ocorreu um acidente multiplo.

Patrese acabou acusado por Niki Lauda, da Brabham, e Mario Andretti, companheiro de Peterson na Lotus, de causar o acidente. Decidiram, por conta própria, proibi-lo de participar da etapa seguinte, nos EUA. “Um absurdo. A FIA não me puniu. Baseados em que fizeram aquilo. Emerson me telefonou para dar a posição deles”, diz com raiva até hoje o italiano.

O jornalista especializado na área técnica da Fórmula 1, Giorgio Piola, estava na primeira chicane, onde aconteceu o acidente que matou Peterson. “Eu cheguei no carro assim que apagaram as chamas do incêndio e ajudei a tirá-lo do cockpit, puxando Peterson pelo macacão”, conta. “Estava bem, tranquilo, falava normalmente, apenas reclamava de dor nos pés.” Na batida, fraturou o pé esquerdo de maneira grave.

No hospital, o que se fala até hoje na Fórmula 1 é que os médicos que o atenderam, na tentativa de não amputar o pé, descuidaram-se e Peterson teve embolia decorrente das fraturas. “Achei que Vitório Brambila iria morrer porque uma roda da batida atingiu o capacete e o fez perder a consciência, não Peterson, que conversou conosco”, recorda Piola. Era a corrida de estréia do médico Sid Watkins, neurologista chamado por Ecclestone para trabalhar nas corridas. Mas não lhe permitiram atender Peterson fora do autódromo. Custou caro para a Fórmula 1.

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