Há mais candidatos à vitória na Austrália que em Bahrein

liviooricchio

26 de março de 2010 | 22h39

26/VII/10

Amigos, esse é um exercício interessante que as provas aqui na Oceania e Ásia nos impõem. Temos de apresentar a corrida no jornal de sábado, sem ter assistido à classificação. Você não entendeu? Simples: como há 14 horas de diferença entre Melbourne e Brasília, quando o leitor do Estadão ou JT for ler a edição de sábado, a classificação já terá ocorrido às 3 horas da manhã. Só que a última edição do jornal fecha, no limite, à meia noite e meia de sexta-feira, antes portanto na classificação. Assim, sou obrigado a apresentar o que vem na sequência, ou seja, a corrida.

Como não tenho bola de cristal, ouvi os personagens do espetáculo sobre o que pensam da prova e as principais variáveis que devem intervir no resultado. O que é certo é que Hamilton, Button, Schumacher e Rosberg, tudo indica, estão mesmo no páreo também, o que é ótimo.

GP da Austrália

Livio Oricchio, de Melbourne

  Se no GP de Bahrein, dia 14, já se sabia que Sebastian Vettel e Mark Webber, da Red Bul, e Felipe Massa e Fernando Alonso, Ferrari, lutariam pela vitória, depois do que apresentaram na pré-temporada e nos treinos no circuito de Sakhir, na prova da próxima madrugada, em Melbourne, às 3 horas, horário de Brasília, pelo menos outros quatro pilotos devem ser acrescentados à lista: Lewis Hamilton e Jenson Button, da McLaren, os dois últimos campeões do mundo e vencedores da corrida no circuito Albert Park, mais Michael Schumacher e Nico Rosberg, da Mercedes. É também o que os treinos livres no traçado australiano indicaram.

  Tendo em conta apenas o histórico dos pilotos, Schumacher, com as vitórias nas edições de 2000, 01, 02 e 04, pela Ferrari, já estaria com a taça. “E não estamos mal aqui nessa pista”, disse o alemão sexta-feira, depois dos treinos livres em que, pela primeira vez até agora, terminou na frente do companheiro de Mercedes, Nico Rosberg.

  Mas se Schumacher costuma dar-se bem no circuito Albert Park, os pilotos brasileiros ainda não venceram lá. “Sou rápido aqui, mas nunca obtive um grande resultado (disputou sete edições do evento). Na minha estreia me envolvi num acidente, na largada, e depois sempre tive problemas no carro”, diz Massa. Sua melhor colocação foi o sétimo lugar em 2007, com Ferrari, depois de largar nas últimas colocações também com dificuldades técnicas. “Este ano certamente tenho possibilidades de ganhar”, afirma.

  Rubens Barrichello, da Williams, é outro que já dispôs de equipamento para ganhar em Melbourne, mas pelas mais variadas razões ainda não foi primeiro. “Adoro este lugar, já fui quatro vezes segundo (2000, 2004,2005 e 2009), mas nunca venci”, comenta Rubinho. Se não chover, amanhã, o piloto da Williams, espera apenas marcar pontos, como fez na abertura da temporada, em Bahrein, ao ser décimo.

  Já Lucas Di Grassi, da Virgin, e Bruno Senna, Hispania, têm objetivos distintos dos de Massa e Rubinho. “Precisamos terminar a corrida, conhecer o carro para torná-lo mais confiável e rápido”, diz Di Grassi, que não conhecia os 5.303 metros da pista. “Gostei muito, é mais rápida do que parece, bem interessante.” Bruno não vai esquecer nunca das 16 curvas do circuito Albert Park: “Foi aqui, em 2006, que venci minha primeira corrida no automobilismo, na Fórmula 3.” Era o início do seu segundo ano no esporte. “Receber a bandeirada, é o que quero”, diz.

  As 58 voltas da segunda etapa do campeonato representam um desafio técnico para pilotos e equipes. “Vai ter gente tendo de administrar o consumo de gasolina para não ficar sem no final”, comenta Robert Sattler, engenheiro brasileiro da Force India. “Os pneus não representam, ao que parece, problema, tanto que se houver um safety car ao redor da décima volta, todos devem fazer pit stop e depois não parar mais”, explica Ross Brawn, diretor técnico da Mercedes.

   “O horário da corrida é ruim, 17 horas. Hoje (ontem) no treino, com minha lente de contato, a visão estava prejudicada”, disse Rubinho. Para complicar ainda mais, existe a possibilidade de chover, como aconteceu sexta-feira na sessão da tarde. “Pode realmente acontecer de tudo nessa corrida, como costuma ocorrer, não dá para apontar alguém que esteja com uma vantagem importante”, analisa Alonso, o líder do Mundial depois da vitória em Bahrein.

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