Hakkinen de volta à McLaren? Pouco provável

liviooricchio

22 de novembro de 2006 | 20h35

Antes de a temporada terminar, Ron Dennis, sócio e diretor da McLaren, disse aos jornalistas que anunciaria o companheiro de Fernando Alonso apenas próximo do Natal. Ninguém entendeu. Lewis Hamilton, jovem inglês de 21 anos, “protegido” de Dennis, acabara de conquistar com brilhantismo o campeonato da GP2. E Dennis viu este ano como é válido apostar em jovens de talento, como fizeram a Williams com Nico Rosberg e a BMW Sauber com Robert Kubica e Sebastian Vettel.

Semana passada, os rumores de que o finlandês Mika Hakkinen, campeão do mundo de 1998 e 1999, voltaria à Fórmula 1 ganharam força na Europa. A edição da revista inglesa Autosport publicou uma foto de Hakkinen na capa, sugerindo um eventual retorno. Ontem, o diretor-executivo da McLaren, Martin Whitmarsh, desmentiu os boatos: “Não temos planos para ele”, afirmou, referindo-se a Hakkinen, hoje com 38 anos e distante da Fórmula 1 desde o fim de 2001.

Mas ontem também o diário esportivo espanhol Marca deu que o finlandês realizou, segunda-feira, exames de avaliação médica. Hakkinen disputou, este ano, o Campeonato Alemão de Turismo, o famoso DTM, pela Mercedes. Classificou-se apenas em sexto, com 25 pontos, diante de 71 do campeão, o alemão Bernd Schneider, companheiro na Mercedes. Foi sua segunda temporada desde a volta às pistas, ano passado. Já há alguns dias a McLaren vem desmentindo a possibilidade de o finlandês reassumir o seu carro.

O fato de Dennis estar retardando a confirmação de Hamilton, ou mesmo Pedro de la Rosa, poderia estar ligado à tentativa de ver o que Hakkinen poderia fazer, hoje, com um carro de Fórmula 1. Embora o jovem inglês tenha disputado belo campeonato na GP2, não impressionou nos testes que realizou na Fórmula 1. Nelsinho Piquet, o vice de Hamilton na GP2, foi muito melhor nos treinos com a Renault.

Ainda que Dennis tenha uma ponta de esperança em ver Hakkinen de novo acelerando seu carro, o histórico do piloto joga, e muito, contra ele. Na sua última temporada na Fórmula 1, Hakkinen perdeu feio a concorrência com David Coulthard, um profissional que já teve os melhores monopostos nos melhores momentos de Williams e McLaren e nunca conquistou nada de expressivo. Mesmo assim, em 2001, o escocês foi vice-campeão, 65 pontos, e Hakkinen, apenas quinto, 37, com o mesmo carro. Visivelmente Hakkinen ou já não queria nada com nada, já que abandonaria a Fórmula 1, ou entrara mesmo na curva descendente de performance.

Este ano na Mercedes DTM apresentou a mesma sintomatologia de 2001. A diferença imposta por Schneider, um piloto de 42 anos de idade, foi enorme. Fez cerca de um terço dos seus pontos. Tudo é possível, lógico. De repente Hakkinen faz um teste e deixa todos surpresos, mas a possibilidade maior é de que o finlandês apareça na Fórmula 1 mais como embaixador da marca de uísque Johnnie Walker, patrocinador da McLaren, que como piloto titular. Aliás, poucas vezes um cargo caiu tão bem a um funcionário. O finlandês tem o hábito de beber álcool, com regularidade.

Todo ano ele desfila com a esposa e o filho pelo paddock de Mônaco, nos dias de GP. Nas conversas informais com a imprensa é outro homem do que se apresentava para disputar as corridas de Fórmula 1. Não esconde suas preferências por aquilo que julga qualidade de vida. A bebida fez parte de sua vida ainda na época de McLaren. O médico que o seguia, o finlandês Aki Hintsa, contratado pela equipe, é o mesmo que cuida de Kimi Raikkonen, seu compatriota, também apegado a um “aperitivo”.

A Ferrari, futura escuderia de Raikkonen, compreendeu logo a importância de ter alguém que controle os dotes etílicos de muitos finlandeses e já acertou também com Hintsa, profissional do Comitê Olímpico da Finlândia. Agora, uma coisa é você ter 26 anos, como Raikkonen, nunca ter conquistado o título, e vez por outra se exceder na bebida. Outra é ter 38 anos e regularmente consumir álcool, ainda que em doses moderadas, desde que passou a competir no DTM, como faz Hakkinen.

Para a Fórmula 1, a volta de Hakkinen seria um excelente negócio. O interesse que iria gerar seria maior, por exemplo, que se a escolha for Lewis Hamilton ou Pedro de la Rosa. Pelo menos até a equipe e o finlandês compreenderem não ser mais possível competir no nível exigido pela Fórmula 1 hoje. Se é que ele não acompanharia mesmo a gana dos mais jovens, como é provável.

A McLaren será patrocinada em 2007 pela banco Santander, espanhol. Alonso, asturiano, já faz parte da equipe. Não seria nenhuma surpresa se, de repente, Pedro de la Rosa iniciar o Mundial até Lewis ganhar mais experiência como piloto de testes. Faz mais sentido essa hipótese que acreditar no retorno de Hakkinen. Lewis treinará na próxima semana, em Barcelona, e depois em Jerez de la Frontera, em dezembro. Terá a oportunidade de refazer a má imagem deixada nas suas duas primeiras experiências com o carro de Fórmula 1 da McLaren.

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