Hamilton, colegas e comissários de olho nele

liviooricchio

09 de setembro de 2011 | 06h39

09/IX/11

Livio Oricchio, de Monza

  Se existe um piloto que os próprios colegas e os comissários vão estar atentos em Monza, já a partir dos primeiros treinos livres do GP da Itália, hoje, é Lewis Hamilton, da McLaren. Curiosamente, diante das características do traçado, o mais veloz do calendário, e do seu carro, é um dos favoritos para vencer, domingo, a 13.ª etapa do campeonato. Hamilton ratifica a cada incidente, como há duas semanas, na Bélgica, a fama de “agressivo, por vezes demais”. A diferença, em Monza, é que as velocidades passam regularmente dos 300 km/h e acidentes podem trazer consequências sérias.

  Calor, 29 graus, às 17h30, e cerca de 20 mil pessoas, ontem, no autódromo próximo a Milão, a maior parte atrás de um autógrafo de seus ídolos. Os pilotos corresponderam, em especial Michael Schumacher, “Schumi”, como ainda o chamam na Itália, por conta de seus cinco títulos seguidos com a Ferrari, de 2000 a 2004. É a paixão do italiano por automobilismo manifestando-se. E sem que a Ferrari viva uma grande fase e esteja na luta pelo título.

  Se Fernando Alonso e Felipe Massa, a dupla da Ferrari, sonham em repetir o ótimo resultado do ano passado, com vitória do espanhol e a terceira colocação de Massa, tudo o que Hamilton deseja é terminar bem a corrida, aproveitando-se da elevada velocidade da McLaren nos longos trechos de reta da pista, e não se envolver em novos acidentes. Só este ano comprometeu as provas de Felipe Massa e Pastor Maldonado, Williams, em Mônaco, a sua própria e quase a do companheiro de equipe, Jenson Button, no Canadá, em Spa-Francorchamps, dia 28, a sua e de Kamui Kobayashi, Sauber, apesar do japonês ter continuado na corrida, e quase provoca um acidente na Hungria, ao manobrar a McLaren perigosamente, depois de rodar, o que exigiu habilidade de Paul Di Resta, da Force India, para não baterem. O inglês foi punido.

  “Espero realizar as coisas da maneira correta, depois de experiências não muito boas”, disse o inglês, campeão do mundo de 2008. O que mais chama a atenção no seu caso é que na estreia na Fórmula 1, em 2007, sempre na McLaren, quase foi campeão e demonstrou maior regularidade que agora. Conter a agressividade tem sido o seu desafio. “Meu time tem me apoiado bastante. A mídia nem tanto, mas assim é a vida.”

  A forma de conduzir de pilotos como Hamilton é imprescindível para a Fórmula 1. Sempre no limite, da hora que sai dos boxes à hora que retorna, não importa se num treino livre, classificatório ou corrida. Garantia de espetáculo para quem gosta de automobilismo. O problema é que, por vezes, acaba comprometendo o trabalho de seus adversários. E quando isso passa a ocorrer com frequência, como agora, a FIA tem mesmo de intervir a fim de reduzir a possibilidade de um acidente com consequências sérias, sem que, por causa das advertências ou eventuais punições, Hamilton tenha de deixar de ser o que é. Apenas reflita um pouco mais antes de realizar determinada manobra de alto risco, por forçar demais uma situação que exigiria necessariamente desprendimento do adversário para ambos não colidirem. 

  Hamilton falou mais, em Monza: “Não me considero excessivamente agressivo e não vou mudar meu estilo. Aqui, vou, sim, tentar ao máximo não me envolver com nada”. No ano passado abandonou, em Monza, depois de um toque com Massa, na primeira volta. Em 2009, na última volta, errou na curva Lesmo, bateu e perdeu o terceiro lugar. Em 2007 acabou em segundo, atrás do companheiro de McLaren, Alonso, vencedor. Seu único pódio em Monza.

  Se Hamilton já adiantou que vai preferir não correr riscos a fim de tentar terminar a corrida, Bruno Senna, na sua segunda prova na Renault, comentou sentir-se “hiperconfiante” em conseguir um bom resultado. “O apoio dessas novas empresas (três patrocinadores brasileiros, Embratel, Gillette e OGX) ajudam a me dar tranquilidade para desenvolver o meu trabalho.” Bruno disputará as sete últimas etapas do campeonato como companheiro do russo Vitaly Petrov na Renault. A primeira sessão de treinos livres, hoje, começa às 5 horas, horário de Brasília.

 

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