Hamilton na Mercedes e Perez na McLaren. Surpreendente e sensacional!

liviooricchio

28 de setembro de 2012 | 11h34

28/IX/12

Livio Oricchio, de Nice

Estou surpreso. E você? Quase não acreditava ser possível a transferência de Lewis Hamilton para a Mercedes. Mas, uma vez mais, a Fórmula 1 ratifica a máxima de tudo, absolutamente tudo ser possível nessa competição de características particulares. Apesar de até ontem não acreditar na saída de Hamilton da McLaren, considero a notícia maravilhosa.

Para o esporte Fórmula 1 é sensacional. O campeonato de 2013 já está supervalorizado sem que a bela temporada em curso tenha ainda terminado. E, acredite, há chance de Hamilton ser campeão, mesmo correndo pela equipe com quem decidiu romper o cordão umbilical criado ainda em 1998, quando tinha 13 anos de idade. Com certeza a Mercedes vai crescer com Hamilton.

E a outra notícia surpreendente, mas menos, é a contratação de Sergio Perez pela McLaren. Com a saída de Hamilton do time, qual o piloto jovem disponível de maior talento no mercado? A escolha natural era mesmo Perez. Considerando-se que Paul Di Resta, da Force India, tem vínculo com a Mercedes, o único concorrente do mexicano seria o alemão Nico Hulkenberg, também da Force India. E entre os dois eu também ficaria com Perez, apesar de considerar Hulkenberg um piloto com potencial para crescer na Fórmula 1.

Com Hamilton na Mercedes e Perez na McLaren, a pergunta é inevitável: o que será de Michael Schumacher? O vi correr do início ao fim da carreira na Fórmula 1 e nunca escondi ser para mim o piloto mais completo que assisti nas pistas. O que em nada desmerece Ayrton Senna como sempre alguns leitores gostam de apontar. Apesar de jornalista profissional, desenvolvi idolatria por Senna, como por Emerson e Piquet, enquanto por Schumacher, apenas profunda admiração.

Torço fervorosamente para Peter Sauber não acolhê-lo em sua escuderia agora que a Mercedes decidiu substituí-lo por Hamilton. Ouvi do suíço, mais de uma vez, que conhece Schumacher do tempo que competia com seus carros na categoria Esporte-Protótipos e o ajudou a entrar na Fórmula 1. Espero que não procure, agora, mantê-lo na competição.

Vejo de perto tudo o que Schumacher tem feito desde a volta à Fórmula 1, em 2010, e me impressiona a queda de performance em relação ao piloto que, no fim de 2006, deixou o Mundial com uma exibição de gala em Interlagos. Seu desempenho está se tornando patético. Não merece ter sua imagem de piloto excepcional, contruída com muito trabalho e elevada dose de talento ao longo de 20 anos, associada a cenas como a de Cingapura, domingo, ou no grid do GP da Hungria, quando errou o local de estacionar sua Mercedes e ainda desligou o motor. Dentre tantas outras.

A Sauber vai precisar de um grande piloto. Kamui Kobayashi é veloz mas não tem o perfil que a organização suíça necessitará. Muito menos o Schumacher de hoje. Esse risco de Peter Sauber se iludir, contudo, existe. Ficarei feliz se amanhã ou depois Schumacher anunciar que vai parar de correr na Fórmula 1. Por tê-lo em grandíssima conta.

As notícias do dia sugerem ser boas para Felipe Massa. Como sempre acreditei, penso que o seu maior concorrente na Ferrari é Hulkenberg. Dos pilotos disponíveis no mercado, quem você colocaria no lugar de Massa? Só sobra o alemão. E entre os dois, considerando-se a evolução de Massa nas últimas quatro etapas, sempre com boa velocidade nas corridas, embora menos nas classificações, suas chances de ter o contrato renovado por mais um ano cresceram.

Mas o exemplo de Hamilton está bem próximo de nós para lembrar que nem sempre o que parece ser o mais lógico acontece. E aos críticos de plantão, recomendo ler o meu post anterior com a devida atenção. Falo em probabilidades, possibilidades, tendências, sugestões, nunca que vai ocorrer isso e aquilo, como por vezes leio e ouço. Nunca tive essa pretensão. Faço análise não previsões. E quando lanço minhas projeções elas se baseiam em fatos que podem ou não levar a determinado desfecho, sempre salientado no texto.

Como destacou com muita propriedade Marcio Brittos no seu comentário, desgraçadamente é grande o universo de indivíduos oportunistas, sem discernimento, ávidos por aparecer nessas horas em cima de nossas projeções, que vai votar nas próxima eleições no Brasil.

Isso explica em grande parte cidadãos semi-analfabetos, por vezes recorrendo à religião, como na Idade Média, com interesses mesquinhos, pessoais, sem o menor nacionalismo, que tanto caracterizam a história política brasileira, surgirem como candidatos sérios à vitória em cargos da relevância como a Prefeitura de São Paulo. Pois que o mesmo Deus tão evocado por esses gângsters se manifeste na sua plenitude, permitindo que a verdade se estabeleça e a população possa escolher quem, de fato, pode lhe melhor representar.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.