Hamilton: 'O dinheiro não mudou minha vida'

liviooricchio

24 de julho de 2009 | 05h19

24/VII/09
GP da Hungria
Livio Oricchio, de Budapeste

No ano passado, Lewis Hamilton tornou-se o campeão do mundo mais jovem da história, pela McLaren, com 23 anos. Em 2007, não ficou com o título, na sua temporada de estréia na Fórmula 1, por um ponto. Na GP2, em 2006, conquistou o campeonato e no ano anterior venceu o Europeu de Fómula 3. Em resumo: Hamilton só conhecia o sucesso até o fim do último Mundial.

A atual temporada, no entanto, tem se apresentado com um duro ensinamento para o piloto inglês. A McLaren errou no projeto do carro. Tudo o que Hamilton conseguiu foram 9 pontos. E o pior, como disse nessa entrevista exclusiva ao Estado, é saber que hoje, nos primeiros treinos livres do GP da Hungria começará a trabalhar para, se tudo der certo, domingo, na corrida, apenas marcar alguns pontos.

E – Como é conviver com realidade profissional, em termos de conquista, tão distinta da que você se acostumou, dá para continuar se sentindo feliz?
LH – Vencer sempre fez parte da minha vida e agora não está sendo possível. Não posso dizer que estou contente com os resultados, quero sempre lutar pelo título, mas pensando na vida, globalmente, continuo, sim, um homem feliz.

E – Tem como não se sentir atingido ao saber que agora você é apenas um coadjuvante da competição?
LH – É muito difícil. Sinto dor no coração. Respiro automobilismo, faz parte da minha vida. Vejo que é uma experiência que tenho de passar, aprender, entender melhor as coisas. Com Ayrton Senna, piloto que sempre admirei, não seria diferente. Aliás procuro ver como pilotos como ele reagiam em situações semelhantes a minha hoje para compreender meu momento. Essencialmente, isso tudo já me prepara para 2010, quando acho que estarei melhor que nunca.

E – Por que você vive esse momento tão distinto na carreira?
LH – Nossa equipe não construiu um grande carro. Estamos trabalhando duro para entender as razões. Na última prova (GP da Alemanha) demos um salto grande de desempenho e aqui na Hungria acredito num bom fim de semana. Se conseguirmos um pódio ou, quem sabe, uma vitória até o final do ano será importante em termos de 2010 (Hamilton acha que a McLaren precisa compreender o motivo de o atual modelo não ser veloz para não cometer os mesmos erros no do ano que vem).

E – O fato de a FIA autorizar o duplo difusor da Brawn GP, no começo do campeonato, mascarou os resultados do Mundial?
LH – Penso que não. Nós também temos e não mudou muito o carro. A Red Bull também não usa (o repórter o corrige, informando da sua existência)…ah, não sabia. Não penso que seja por aí.

E – Em geral, dificuldades aerodinâmicas sérias, como a de vocês, não são corrigidas rapidamente. Se a McLaren errar de novo no projeto do ano que vem, você pode começar a pensar em trocar de equipe?
LH – Estou pensando neste fim de semana ainda a fim de aproveitar nossa evolução, 2010 está muito à frente.

E – Junto do desapontamento pela ausência de resultados você experimentou, este ano, uma situação de profundo desgaste ao mentir para os comissários no GP da Austrália. Sua equipe quase foi excluída do Mundial.
LH – Me fez crescer. Quando cheguei aqui na Fórmula 1 era muito jovem, não um homem formado. Às vezes você acha que está sob controle e não está, se acha esperto e acaba se equivocando. Sua imagem segue caminhos errados. Tudo isso ajudou a formar minha personalidade.

E – Você vem de uma família de pessoas simples, condição financeira restrita. Agora é um piloto dos mais bem pagos (seu rendimento é estimado em US$ 20 milhões por ano). Como isso mudou sua vida?
LH – Claro, ajuda, mas para mim dinheiro nunca foi a coisa mais importante da vida. Por exemplo: a família que tenho, a realização no amor não dependem de dinheiro. Eu não gasto muito. Estou sempre dizendo isso não dá para comprar porque custa caro, procuro economizar até a gasolina do meu carro. Sei valorizar as coisas em razão do que passamos. Não tenho iate, avião a jato, nada. Acabei de comprar, sim, uma bela bicicleta. Gosto de levar uma vida normal.

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