Hamilton pega pesado contra os colegas

liviooricchio

11 de setembro de 2008 | 15h23

11/IX/08
Livio Oricchio, de Monza

O GP da Itália começa, hoje, no veloz circuito de Monza, com duas sessões de treinos livres, mas já ontem as declarações dos pilotos deram o tom do que vem aí pela frente. Lewis Hamilton, da McLaren, demonstrou revolta com a punição, domingo, na Bélgica, por cortar a chicane e na sequência ultrapassar Kimi Raikkonen, da Ferrari. Sobre a manobra, afirmou: “Se ele não tem colhões para frear tarde é um problema dele”.

Os ânimos estão acirrados na Fórmula 1. E Hamilton optou por um caminho perigoso, ao desejar afrontar não só Raikkonen, pelo ocorrido no circuito de Spa-Francorchamps, mas vários colegas. Pode acabar isolado pelos demais pilotos. A maioria não se importou em expressão o que pensa da punição ao inglês. “Não é a primeira vez que se comporta assim. Em Magny-Cours acabou punido pelo mesmo motivo, seguir reto na chicane”, lembrou Sebastien Bourdais, da Toro Rosso.

O ataque de Hamilton a Raikkonen não terminou com a observação de que freia muito cedo. “Naquelas circunstâncias (asfalto escorregadio por causa da chuva) é o piloto quem pode sentir a aderência e levar o carro ao limite. E eu seu que sou grande nessas horas”, afirmou o inglês, sem modestia. “Sou mais capaz de sentir essa aderência que ele, sabia onde colocar o carro e o fiz em diferentes trajetórias das deles e a encontrei.”

Felipe Massa, da Ferrari, vencedor na Bélgica com a punição a Hamilton, assumiu postura clara a respeito da decisão dos comissários: “Saímos de uma entrevista coletiva, agora, e todos os pilotos têm a mesma idéia. Não existe complô contra piloto algum. O que existe é uma regra que diz não ser permitido tirar vantagem ao cortar uma chicane”. E concluiu: “Hamilton devolveu a posição ao Kimi preparando-se para ultrapassar de novo, não há o que discutir.”

Fernando Alonso, Jarno Trulli, Nico Rosberg, Giancarlo Fisichella, Sebastian Vettel, Robert Kubica, dentre outros, falaram sem receio: a punição a Hamilton foi justa. O que quase todos questionaram, porém, foi a extensão da pena. “Me pareceu pesada demais”, observou Trulli, como os colegas. Alonso não perdeu a chance de atacar o ex-companheiro de McLaren e desafeto: “Se tivesse um muro em vez da área de escape ele não a teria usado e não estaria a apenas um metro de Kimi. Você perde (ao fazer a chicane) 5, 10 metros e não teria como ultrapassar na curva 1.”

A imprensa perguntou a Hamilton o que pensava de ver os colegas condenando-o. E se irritou de novo: “Não falamos sobre isso na nossa reunião. E nós todos concordamos, sempre, com tudo? Nunca. Eles têm o direito de possuir sua opinião, é sempre fácil quando não se está envolvido ou você faz parte dos que não lutam pela vitória.” Soou ofensivo para alguns.

A entrevista de Raikkonen foi tão ou mais concorrida que a de Hamilton, ontem, porque se deu depois de o inglês da McLaren o atacar. O finlandês, como de costume, desdenhou das acusações de incompetência, já que Haminton o definiu como um piloto sem coragem para frear mais próximo das curvas. “Não me importo. O que está em jogo não é o que aconteceu na freada da primeira curva, mas se o piloto teve ou não vantagem ao cortar a chicane”, falou Raikkonen. Usou argumento semelhante ao de Alonso. “Se na chicane houvesse um muro ele não estaria tão perto do meu carro.”

O calor intenso de ontem, 30 graus, deve dar lugar, hoje, a temperaturas próximas dos 18 graus e provavelmente chuva, previsão que deverá se estender para o restante do fim de semana. Os pilotos assumem temer uma prova com pista molhada em Monza. “Podemos aquaplanar nas retas, a 300 km/h, é muito perigoso”, disse Alonso.

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