Hamilton: "Será mais fácil cometer erros"

liviooricchio

16 de janeiro de 2008 | 19h03

16/I/08

Hoje foi o último dia do teste coletivo em Jerez de la Frontera, na Espanha. Toyota, McLaren, Ferrari e Red Bull trabalharam com seus modelos 2008. A Red Bull apresentou o RB04 hoje também e, depois, com David Coulthard, completou 54 voltas no traçado de 4.423 metros. Os pilotos só puderam exigir mesmo de seus monopostos, com pneus para pista seca, na hora final do treino porque choveu a maior parte do tempo.

Timo Glock, novo piloto da Toyota, registrou a melhor marca, 1min19s799 (96 voltas), seguido por Lewis Hamilton, McLaren, 1min20s099 (73) e Fernando Alonso, Renault R27, 1min20s363 (49). Felipe Massa, Ferrari, foi quinto, 1min20s500 (85) e Kimi Raikkonen, também Ferrari, oitavo, 1min20s646 (88). No total, 14 pilotos treinaram.

No post anterior está à disposição a transcrição da entrevista de Lewis Hamilton depois do ensaio. Vou comentar alguns aspectos da conversa que me chamaram a atenção. Todos relacionados às novas regras técnicas, sem alguns recursos eletrônicos importantes.

A começar pela ausência do sistema automático de largada. Ano passado o piloto parava o carro no grid, acionava a alavanca da embreagem com os dedos da mão esquerda e com os da mão direita engatava a primeira marcha, através de outras menetes também atrás do volante.

A seguir, apertava o botão de largada automática no volante do carro, levava o acelerador ao seu curso máximo, mantendo a embreagem acionada com os dedos da mão esquerda, e, quando as luzes vermelhas se apagavam, soltava de uma vez a manete da embreagem. O sistema automático se encarregava de detectar se as rodas motrizes giravam em falso e comandava os giros do motor para apenas deslocar o carro, sem perda de tempo por não tracionar.

Agora tudo isso está sob a responsabilidade do piloto. Não poderá mais, por exemplo, soltar a embreagem de uma vez na largada. O controle de tração será exercido por ele, piloto, administrando o curso do acelerador com o pé direito e o grau de acionamento da embreagem, com os dedos, da mão direita ou esquerda, como queira. Atrás das manetes que comandam as trocas de marchas, atrás do volante, encontram-se as duas que controlam a embreagem.

Tenha em mente que os motores atuais desenvolvem já algo perto de 800 cavalos de potência e a aderência dos pneus depois de serem mononarca, Bridgestone, reduziu bastante em comparação à época da concorrência com a Michelin. Os pneus são, agora, bem mais duros. Será interessante. A Fórmula 1 estará mais seletiva. “É muito diferente”, disse Hamilton, “quando tentamos colocar a potência no solo.”

O jovem talentoso inglês comenta a ausência, a partir deste ano, do punta-taco automático também. Durante a maior parte da história das corridas de Fórmula 1, o piloto freou com a ponta do pé direito e com o calcanhar acionou o acelerador, enquanto mantinha o pé esquerdo no pedal da embreagem. Com sutis toques no acelerador, elevava os giros para compatibilizar os regimes de rotação do motor com o da marcha em redução a ser inserida. Todo esse procedimento é chamado de punta-taco.

Nos últimos anos da Fórmula 1, essa equalização vinha sendo feita automaticamente. Bastava ao piloto frear, em geral com o pé esquerdo, agora,e com os dedos da mão esquerda substituir as marchas no sentido descendente, reduzindo-as. Não se usa mais a embreagem nessa situação. Os carros nem mais apresentam o pedal de embreagem.

Os pilotos, este ano, vão continuar não usando a embreagem, acionada com os dedos e não os pés, para reduzir as marchas, mas a compatibilização de velocidades entre giros do motor e a marcha a ser inserida será por sua conta. Repare na entrevista que Hamiltom fala em redução do efeito freio-motor. “Há muito menos freio-motor, o que faz grande diferença na maneira de frear e encarar as curvas…será mais fácil cometer erros.”

O piloto da McLaren saiu da pista duaz vezes, hoje, provocando duas bandeiras vermelhas. “Não teve a ver com a proibição do controle de tração, rodei nas freadas”. explicou Hamilton. “Estava molhado e toquei na zebra enquanto freava. Fui até a caixa de brita…Nas duas situações as rodas traseiras bloquearam e rodei. Deu para ver que sem os recuros eletrônicos para auxiliar no freio-motor há muito mais possibilidades de as rodas traseiras travarem. É o que acontece quando você está buscando o limite do carro.”

Sem o freio-motor atuando na mesma intensidade de antes, os pilotos tendem a tocar no pedal do freio com maior violência ou exigir mais do sistema, aplicando maior força, mesmo progressiva, para compensar a perda de parte do freio-motor.
Há outros aspectos interessantes da entrevista de Hamilton. Sugiro sua leitura, no post anterior. Aviso: está em inglês.

Deu para ver, amigos, como os pilotos estão sentindo a ausência dos recursos eletrônicos proibidos? Na hora das corridas, sob a tensão do fim de semana de competição, é provável que assistamos a mais erros desses profissionais, ao menos na fase inicial da temporada.

Semana que vem, a partir de terça-feira, além de Ferrari, McLaren, Toyota e Red Bull estarão em ação com seus modelos 2008, em Valência, Renault, Honda e Williams.

Abraços!

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