Hamilton supera seus dramas e vence na Hungria

liviooricchio

29 de julho de 2012 | 19h56

29/VII/12
Livio Oricchio, de Budapeste

Lewis Hamilton tem motivos de sobra para celebrar “como um jovem na faixa dos 20 anos” a vitória de ontem no GP da Hungria, depois de forte pressão dos pilotos da Lotus, Kimi Raikkonen, no fim, e Romain Grosjean, no início, segundo e terceiro em Budapeste. O primeiro: venceu mesmo estando separado da namorada, a cantora pop Nicole Scherzinger. No ano passado, quando também não estavam juntos, Hamilton disputou sua pior temporada. Outra razão foi a McLaren confirmar a grande evolução apresentada na etapa anterior, na Alemanha.

Apesar de distante, ainda, 47 pontos (164 a 117), do líder do Mundial, Fernando Alonso, da Ferrari, quinto ontem, Hamilton afirmou: “O campeonato está aberto. Não tirei muitos pontos de Fernando, mas se continuarmos com esse desempenho chegamos lá”. A conquista veio na melhor hora, comentou o piloto inglês de 27 anos. “Vínhamos de uma fase difícil.” Nos GPs da Europa, em Valência, Grã-Bretanha e Alemanha Hamilton havia somado apenas 4 pontos.

“Estivemos sempre muito rápidos nessa pista que eu adoro. Mas manter atrás de mim Romain e depois Kimi, tendo de preservar os pneus, foi bastante difícil”, comentou. Hamilton ganhou a corrida no circuito Hungaroring em duas outras ocasiões, em 2007 e 2009. “Era importante entrar de férias em alta.” A próxima etapa do calendário, 12.ª será apenas dia 2 de setembro, na Bélgica.

Nesse período é provável que Hamilton intensifique o envio de flores à namorada na tentativa de reconquistá-la. Dias depois da corrida de Silverstone, dia 8, os tablóides sensacionalistas ingleses publicaram fotos comprometedoras do piloto numa festa, levando Nicole se distanciar. Mas, ao menos pelo que apresentou ontem, Hamilton não se desestruturou emocionalmente, com no ano passado, quando por outros motivos Nicole se separou.

“Esse resultado é uma resposta a muitas coisas que falam por aí. Estou 100% focado este ano, nunca estive tão comprometido com a minha profissão, ao contrário do que dizem. Ainda estou na faixa dos 20 anos e desejo aproveitar a vida”, disse Hamilton. E concluiu provocando risos: “Me contaram que depois entramos na descendente”.

Se de fato Stefano Domenicali pensou em ter Kimi Raikkonen de volta à Ferrari, como se comentou no paddock ontem antes da largada, o trabalho do finlandês ao longo das 70 voltas o deve ter feito refletir com mais seriedade sobre a questão. Que corrida do campeão do mundo de 2007! Largou em quinto, caiu para sexto, ao ser ultrapassado por Alonso, mas impôs um ritmo tão impressionante a suas longas séries de voltas que o permitiu ganhar, ainda que na estratégia correta e nas operações de pit stop, as posições de Alonso, Sebastian Vettel, da Red Bull, quarto colocado no final, Jenson Button, McLaren, e Grosjean.

Mais: chegou a ficar a oito décimos de segundo do líder, Hamilton. “Infelizmente não tive nenhuma chance de tentar a ultrapassagem”, afirmou o finlandês. “A vitória hoje de novo era possível, mas segundo e terceiro foi um bom resultado para a Lotus.” Na 45.ª volta realizou o segundo pit stop e regressou à pista lado a lado com Grosjean na curva 1. Valia o segundo lugar. O francês perdeu a disputa.

“Kimi fez o que tinha de fazer, tentar me ultrapassar. Infelizmente perdi um segundo e meio atrás de Michael Schumacher (retardatário) que não respeitou as bandeiras azuis (para facilitar a ultrapassagem)”, explicou o francês com cara de menos amigo, já normal nele. “Fiquei realmente irritado por eu estar lutando pela vitória.” A exemplo de Raikkonen, Grosjean acompanhou Hamilton bem de perto, chegando a ficar a nove décimos de segundo na volta 31.

Alonso riu, literalmente, na conversa com os jornalistas depois da prova. Solicitaram que comentasse o quinto lugar, afinal vinha de três pódios seguidos. “Em Valência, fiquei de fora do Q3 na classificação e saí de lá na liderança do Mundial”, falou. “Achei que em Silverstone (etapa seguinte) eu a perderia, mas continuei em primeiro. Depois veio a Alemanha, pensei o mesmo e de novo ampliei minha vantagem.”

O espanhol completa o raciocínio: “Aqui na Hungria aconteceu a mesma coisa. Portanto, se continuar assim ficaremos felizes.” Admitiu, no entanto: “Hoje não tínhamos a mesma velocidade dos que lutaram lá na frente.” Como Mark Webber, da Red Bull, recebeu a bandeirada somente na oitava colocação, somou 4 pontos diante dos 10 de Alonso. Conseguiu manter-se, ainda, como vice-líder, mas mais distante do piloto da Ferrari, 164 a 124, ou significativos 40 pontos atrás.

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