Histórias da estreia de Schumacher na Fórmula 1

liviooricchio

24 de agosto de 2011 | 06h30

23/VIII/11

  Livio Oricchio, de Nice

  Até ontem à noite não havia, ainda, uma definição sobre a presença de Bruno Senna no cockpit do renovado carro da Renault no GP da Bélgica, no fim de semana, em substituição ao alemão Nick Heidfeld. Mas as chances são boas. Hoje a história deverá ter seu desfecho. Enquanto isso, aos poucos as mais bizarras histórias envolvendo a estreia de Michael Schumacher na Fórmula 1, em Spa-Francorchamps, há exatos 20 anos, começam a emergir. E vão surgir muitas até domingo, dia da corrida.

  Bruno ou Heidfeld e o companheiro, Vitaly Petrov, terão à disposição já no primeiro treino livre, sexta-feira, uma versão B do modelo R31. O carro foi projetado para desfrutar os benefícios aerodinâmicos de posicionar os terminais de espace voltados para a frente, na laterais. Mas a partir do GP da Bélgica o time francês utilizará os escapamentos voltados para trás, como a maioria. Em razão da proibição dos testes, a equipe tem referência apenas virtual do comportamento do carro. Os pilotos vão descobrir na pista se o R31 tornou-se mais equilibrado e veloz. É outro dos desafios de Bruno se conseguir a vaga.

  Boa parte dos que gostam de Fórmula 1 sabe que Schumacher estreou na competição, no GP da Bélgica de 1991, porque o piloto de Luxemburgo, que correu com licença belga e francesa, Bertrand Gachot, foi preso: usou spray de gás lacrimogêneo na face de um motorista de táxi, em Londres, durante uma briga. A vaga na equipe Jordan ficou livre. Poucos sabem que naquela corrida, o empresário de Schumacher, o alemão Willi Weber, convenceu Eddie Jordan a aceitá-lo “por ser um especialista” nos 6.940 metros, extensão da época, do circuito de Spa. “Na realidade o máximo que Michel havia feito em Spa fora umas voltas de bicicleta”, contou depois Weber.

  Durante o GP do Japão de 1996, Eddie Jordan contou várias passagens daquele fim de semana ao Estado. “Eu e Ian sabíamos que com nosso orçamento não terminaríamos a nossa primeira temporada na Fórmula 1, em 1991”, lembrou. Ian Phillips era seu diretor comercial. “Fazíamos economia de guerra. No GP de estreia de Michael, no nosso time, dormimos num albergue. O problema é que eu e Ian tivemos de compartilhar uma cama de casal”, disse, rindo, como bom irlandês. “Mas eu dormi com a cabeça virada para os pés de Ian.”

  Não nesse nível de detalhe, Schumacher escreveu na sua coluna no semanal alemão Auto Motor und Sport, recentemente, ter estranhado o albergue. “Achei que a Fórmula 1 fosse diferente.” E publicou ter sinalizado a Eddie Jordan, depois do warm up, o problema no sistema de embreagem que o fez abandonar a prova logo depois da largada. “Eddie disse que custaria muito dinheiro trocar a embreagem.”

  A Mercedes, para quem Schumacher, então com 22 anos, competia no Mundial de Esporte-Protótipos, na Sauber-Mercedes, pagou US$ 237 mil (cerca de R$ 370 mil) para Eddie Jordan tê-lo na equipe no GP da Bélgica. Apesar do abandono precoce, o sétimo tempo no grid causou tanta comoção que Flavio Briatore, diretor da Benetton, o contratou já para a etapa seguinte, o GP da Itália, e dispensou o brasileiro Roberto Moreno.

  Complemento do texto:

  Quarta-feira, dia 24, hora do almoço para mim, aqui em Nice. Estou embarcando para Frankfurt e de lá sigo de carro para Spa. Acabei de falar com um amigo da Renault e o que me disse foi: “Até onde sei, neste momento (11 horas de Nice, 6 horas de Brasília), não há definição quanto ao Bruno correr em Spa”.

  Torço para dar certo. O Bruno merece a chance. Com o Nick Heidfeld, a equipe já sabe o que poderá obter. Por que não tentar um piloto mais jovem, cheio de gás?

  Lá de Spa envio notícias, ainda hoje.

  E quanto a essas histórias do fim de semana da estreia de Schumacher na Fórmula 1, vou contar outras que sei e as que irei pesquisar no autódromo com quem as vivenciou.

  Abraços!

 

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