Hora de um "calmante" para Hamilton

liviooricchio

25 de setembro de 2011 | 19h47

26/IX/11

Livio Oricchio, de Cingapura

Amigos, esse é o texto de minha coluna nesta segunda-feira no Jornal da Tarde

  Estou com Felipe Massa: o talentosíssimo Lewis Hamilton tem de ser punido antes de provocar um acidente mais sério. É impressionante. O Hamilton que vi correr em 2007, na estreia na Fórmula 1, e me encantou, como a quase todos que se interessam por esse esporte, parecia mais maduro que o desta temporada.

  É verdade que perdeu um dos títulos mais ganhos da história da Fórmula 1, com erros nas etapas finais, mas desafiar e vencer ninguém menos de Fernando Alonso, com a mesma McLaren, de cara, é para muito, mas muito poucos. Tem de ser superdotado, como Hamilton.

  Fiz uma lista de incidentes envolvendo Hamilton este ano. Chega a assustar. Em Mônaco foram três, sendo dois na corrida. E ainda assim terminou em sexto. Está errado. Não é punição. Em Cingapura, mesma coisa. Hamilton foi educado a poder se exceder nas tentativas de ultrapassar porque, se não comprometer seu carro, ainda assim pode chegar nos pontos.

  É hora de um basta. Só este ano recebeu punições no GP da Malásia, Mônaco, Hungria e Cingapura. Poderia se questionar, ainda, a não punição em Silverstone, também com Massa, a metros da bandeirada, e se o toque em Webber, em Montreal, não fosse o caso, da mesma forma, de um drive through.

  Dá para ver que é muita coisa para um piloto só em tão pouco tempo numa atividade de alto risco como é a Fórmula 1? Se Hamilton não for reeducado, continuará assim.

  É perfeitamente possível manter seu inconfundível e delicioso estilo agressivo de conduzir sem, no entanto, comprometer o trabalho dos outros. Não há uma relação de exclusão entre uma coisa e outra como muitos acreditam. Em outras palavras, não vamos perder o espetáculo Hamilton, que eu também tanto aprecio.

  Mas há regras que delimitam essa gana toda de vencer, sem extingui-la. E confesso sentir certa evolução no critério de julgamento do comportamento dos pilotos nas corridas depois que colegas mais experientes passaram a se juntar aos comissários desportivos. Ontem foi Heinz-Harald Frentzen.

  Importante: seria do próprio interesse de Hamilton se lhe prescrevessem um “calmante”. Olhe para a classificação do campeonato. Quem tem ainda chances, ainda que apenas hipotéticas, de vencer o Mundial? É Jenson Button, seu companheiro de McLaren, com 185 pontos, vice-líder, diante de 168 de Hamilton, quinto. E o Hamilton não teve, como Button, de abandonar um GP, Grã-Bretanha, por erro da equipe na fixação da roda no pit stop, e da Alemanha, em razão de pane hidráulica.

  E qual seria esse “calmante”? Na próxima vez que se envolver num incidente semelhante aos muitos deste campeonato, suspendê-lo por um GP. Serviria para colocar a cabeça no lugar e expor todos a riscos menores, além de nos garantir, provavelmente, um Hamilton mais próximo do verdadeiro, aquele que conhecemos em boa parte de 2007 e no título de 2008, capaz de oferecer belíssimos espetáculos. Sem detrimento dos outros.

 

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.