Il Dottore, Valentino Rossi, e o desafio de defender a Ducati

liviooricchio

11 de janeiro de 2011 | 14h08

11/I/11

Livio Oricchio, de Madonna di Campiglio, Itália

  A Fórmula 1 de campeões como Michael Schumacher, Fernando Alonso e agora Sebastian Vettel é mesmo um universo bastante distinto do da MotoGP, de lendas como Valentino Rossi, nove vezes campeão do mundo, por exemplo. Ontem, Il Dottore, como o próprio meio das motocicletas o chama, deu na sua primeira entrevista oficial como piloto da Ducati um show de espontaneidade, comportamento proibido aos pilotos pelas anacrônicas equipes de Fórmula 1.

  A Ducati é patrocinada pela Philip Morris, dona da marca Marlboro, tradicional empresa que investe na Ferrari também. O encontro com a imprensa promovido em Madonna di Campiglio, na Itália, reúne as duas equipes, a de Fórmula 1 e a da Moto GP. Ontem foi a vez de Rossi e seu companheiro, o norte-americano Nicky Hayden, conversarem com os jornalistas. Amanhã será a vez de Felipe Massa e Fernando Alonso.

  Foi uma pena que Alonso e Massa não tivessem acompanhado Rossi, ontem. É provável que dissessem a si mesmos: “Eu também gostaria de poder ser assim, responder por mim mesmo”, sem seguir a rígida disciplina de abordagem estabelecida pelo time italiano, como os demais da Fórmula 1. Rossi respondeu todas as perguntas, sem esquivar-se de nada.

  Por qual razão exigiu uma separação nos boxes da Yamaha entre você e seu companheiro, Jorge Lorenzo, no ano passado? O italiano passou a não dividir com o jovem piloto espanhol, que viria a ser campeão do mundo, as informações sobre acerto da moto. “Os campeonatos de 2007 e 2008 foram duros, a moto da Yamaha tinha uma série de problemas, precisamos trabalhar muito para solucioná-los”, disse Rossi. Lorenzo não fazia parte do time. “A divisão visou a salvar o meu trabalho.” Em outras palavras, não achava justo o talentoso Lorenzo receber tudo de graça.

  Rossi se acidentou nos treinos livres da etapa de Mugello, fraturou a perna direita e ficou de fora quatro corridas do campeonato. Lorenzo aproveitou bem a oportunidade e com seu talento chegou ao título. “Eu o considero favorito para 2011. Quanto à Ducati, o primeiro que tenho a fazer é estar 100%, o que não penso que será o caso no começo da temporada”, disse Rossi.

  Dia 14 de novembro o mais carismático piloto da história do motociclismo foi operado para recuperar dois tendões na região posterior do ombro. “Ainda não tenho força na mão esquerda, por isso nos testes de fevereiro, na Malásia, não poderei dar o máximo.” Já para a abertura do campeonato, dia 20 de março, no Qatar, seu objetivo é estar em melhores condições. “Nossa torcida terá de ser um pouco paciente. Eu preciso estar em situação física mais apropriada e também melhorarmos a Ducati.”

  Aos 31 anos (completará 32 dia 16 de fevereiro), Il Dottore acredita poder lutar ainda contra a geração mais jovem, composta por Lorenzo, outro espanhol, Daniel Pedrosa, e o australiano Casey Stoner, ambos da forte equipe da Honda este ano. Infelizmente Rossi não deverá participar, sexta-feira, da corrida de kart e com carros Fiat Panda tração 4×4 sobre o lago congelado de Madonna di Campiglio, junto de Massa, Alonso e Hayden. “Estou me recuperando ainda da cirurgia, não vai dar. Mas teremos a oportunidade, eu e Alonso, um dia, de trocar de máquina, ele na moto e eu na sua Ferrari de Fórmula 1.”

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