Já dá para concluir: a vantagem inicial será da Ferrari

liviooricchio

28 de fevereiro de 2007 | 17h38

Outro excelente dia de treinos para Felipe Massa no circuito de Sakhir, em Bahrein. Com o modelo F2007 da Ferrari equipado com motor destinado a cumprir a milhagem equivalente a dois GPs, Massa completou 100 voltas no traçado de 5.412 metros e estabeleceu a melhor marca do dia, 1min30s640.

Massa já se aproxima do melhor tempo da pista barenita, registrado por ele mesmo, dia 21 de fevereiro do ano passado, 1min29s958, quando a Ferrari foi treinar no circuito de Sakhir. A diferença entre o obtido hoje, 1min30s640, e o de 2006, 1min29s958, ou seja, 682 milésimos de segundo, é menor do que se poderia se esperar entre uma marca deste ano e da temporada passada.

Agora os pneus são os mesmos para todos. Sem a concorrência da Michelin, a Bridgestone desenvolveu pneus de performance bem aquém das de 2006, quando tinha de vencer os franceses. Mais: há um limitador de giros no motor, 19.000 rpm. No campeonato passado, esses motores tocavam a casa das 20 mil rpm. Num cálculo bem genérico, a cada mil giros a menos perde-se, em média, 3 décimos de segundo.

Com tudo isso, pneus de bem menos aderência e motor com menos potência, o desempenho dos carros já está perto dos modelos de 2006. Vamos ver em condição de corrida, na Austrália, Malásia e Bahrein, se será mesmo assim. Os indícios são de que o avanço dos modelos 2007 no início do Mundial estão acima do imaginado. Acreditava-se que seriam cerca de 1,5 segundo mais lentos. Imagine, então, como terminarão o campeonato.

No caso específico da Ferrari, Massa dá outra mostra de estar no seu melhor momento na Fórmula 1, embora nunca seja demais lembrar que nos ensaios não se experimenta as tensões de um fim de semana de competição, onde as pressões e o pouco tempo disponível para decidir sobre vários fatores fazem, também, a diferença entre os pilotos. O equilíbrio emocional para ter discernimento para tomar decisões é tão solicitado, hoje, quanto a habilidade de conduzir o carro.

Estou apostando boa parte das minhas fichas que a autoconfiança de Massa, sentida nas últimas conversas que tive com ele, como semana passada, e no resultado do seu trabalho nos leva a acreditar que seu início de temporada pode mesmo ser promissor. Só espero que se pelos mais distintos motivos, como deixar os boxes num melhor instante, Kimi Raikkonen for mais rápido que ele em Melbourne, Massa tenha calma suficiente para não perder-se, tentar recuperar sua maior velocidade a qualquer custo. Não irá conseguir, comprometerá um melhor resultado e levará alguns fãs questionarem a veracidade desses resultados, embora saibamos serem absolutamente reais.

O segundo piloto mais veloz do dia foi Lewis Hamilton, estreante da McLaren, com 1min31s178 (56 voltas), marca 538 milésimos pior que a de Massa, ainda que não possamos fazer comparação direta por não dispormos de dados sobre as condições de ambos. Mas dá para concluírmos, com a extensão do que significa concluir, que a Ferrari conta com um conjunto um pouco mais veloz, constante e resistente que todos os demais. Diferença pequena, bem menor do meio segundo imposto hoje por Massa a Hamilton, mas existe.

Amanhã será o último dia de testes antes de os carros deixarem os boxes no Albert Park, em Melbourne, dia 16 de março, no primeiro treino livre do GP da Austrália. Mesmo que, eventualmente, McLaren, BMW, Renault ou ainda outra equipe estabeleça, amanhã, um tempo melhor que os de Massa, não irá alterar a projeção de que a Ferrari tem uma pequena vantagem sobre os demais no início do campeonato. E Massa sobre Raikkonen. Esse é um dos ensinamentos dos ensaios que se iniciaram há cerca de 40 dias.

Por falar em Raikkonen, ele também concluiu a milhagem do motor, hoje, ao dar 94 voltas em Sakhir, com 1min31s490, o 3º. O finlandês estava com a versão aeridinâmica antiga enquanto Massa, com a nova, a que será usada nas 3 primeiras provas do ano. Isso também explica a diferença de 850 milésimos entre um e outro piloto.

Vamos fazer uma tabelinha, amanhã, com o melhor tempo de cada piloto desde que o ensaio de Sakhir começou, dia 20, e discuti-los?

Os tempos de hoje, quarta-feira, dia 28:

1. Massa (Ferrari F2007) 1:30.640 (100 voltas)
2. Hamilton (McLaren-Mercedes MP4/22) 1:31.178 (55)
3. Raikkonen (Ferrari F2007) 1:31.490 (94)
4. Fisichella (Renault R27) 1:31.967 (109)
5. Pedro de la Rosa (McLaren-Mercedes MP4/22) 1:31.971 (52)
6. Kovalainen (Renault R27) 1:32.068 (30)
7. Heidfeld (BMW F1.07) 1:32.264 (73)
8. Button (Honda RA107) 1:32.293 (73)
9. Liuzzi (Toro Rosso-Ferrari STR02) 1:32.359 (47)
10. Kubica (BMW F1.07) 1:32.648 (54)
11. Barrichello (Honda RA107) 1:32.650 (61)
12. Sato (Super Aguri-Honda SA02) 1:32.837 (100)
13. R.Schumacher (Toyota TF107) 1:33.054 (85)
14. Coulthard (Red Bull-Renault RB03)1:33.146 (52)
15. Webber (Red Bull-Renault RB03) 1:33.238 (53)
16. Trulli (Toyota TF107)1:33.384 (33)

Obrigado, Beto, pelo comentário:
Resposta: os carros tornam-se um pouco mais eficientes em tudo ano a ano. No caso desta temporada, em que os pneus serão os mesmos para todos, o motor terá desenvolvimento congelado e os testes particulares foram reduzidos, a aerodinâmica, onde uma grande idéia pode fazer diferença, ganhou ainda mais peso. Você sabia que as equipes mais estruturadas mantém três turnos de trabalho no túnel de vento, praticamente ocupado 24 horas por dia?
Agora mais que nunca. Não dá para tirar ou impor diferença para os adversários nos pneus, na maior eficiência do motor. A Ferrari tem um novo sistema de transmissão, capaz de reduzir ainda mais o espaço de tempo nas trocas de marchas, falamos em milésimos de segundo. Onde for possível otimizar o sistema será tentado algo. Outro exemplo: tenho conversado com técnicos da área de motores e eles me sinalizam profundos estudos no desenvolvimento de óleos lubrificantes. Não se pode mais mexer no motor, por isso reduzir os atritos internos tornou-se ainda mais prioritário. Mais: combustíveis. De novo passam a concentrar enormes interesses.
Some alguns décimos de segundo no avanço geral do projeto, outros recuperados nos testes já realizados, mais milésimos nos óleos e gasolina, dentre outras áreas, como eletrônica, hidráulica, metalurgia, maior emprego de materiais compósitos etc e compreenderemos como se recupera velocidade diante das imposições do regulamento.
Grande abraço!

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