Já estão burlando a proibição ao controle de tração?

liviooricchio

24 de janeiro de 2008 | 20h02

24/I/08

Depois de ler todos os comentários, penso ser oportuno expor o que penso sobre as questões propostas.

Por exemplo: Por que a Renault não levou dois carros R28 para Valência? Simples: porque não os tem ainda prontos. Nos treinos da próxima semana, em Barcelona, Alonso e Nelsinho trabalharão com dois modelo 2008.

A Renault estendeu ao máximo o período de estudos, em especial no túnel de vento, até definir a versão final do carro. A McLaren costumava fazer isso no passado. Quem se lembra da era Senna-Prost? Nos dois anos em que compartilharam a McLaren, 1988 e 1989, realizaram um ou dois treinos apenas antes de estrear no campeonato.

É cedo ainda, lógico, mas ao menos pelo que vimos em Valência o resultado da engenharia da Renault foi distinto do alcançado pela McLaren logo de cara. Não descartemos, sob nenhuma hipótese, a Renault. Não me surpreenderia se já em Barcelona derem um belo salto adiante.

Seus técnicos são muito capazes e Alonso faz diferença, sim. Não os 7 décimos que ele disse ter levado no bolso do macacão à McLaren, mas é um piloto que sabe ditar os rumos da equipe e, com o tempo, esses sete décimos emergem homeopaticamente, como resultado da sua liderança, conhecimento e inteligência. Mas podia ser menos chorão, não acham?

Gostei da brincadeira, Becken. Ri bastante. Típica dos ingleses. Bem resgatada. Traga outras!

Outra dúvida na Fórmula 1 surgiu depois das declarações de Jarno Trulli. O italiano da Toyota disse ter estranhado como alguns carros reagiam nas saídas de curva. Sugeriu que já há quem burle a proibição do controle de tração. Mais: afirmou ser possível interferir na nova central de gerenciamento eletrônico (Secu), deixando lá programas capazes de funcionar como o controle de tração.

Olha, possível sempre é. Mas creio mais que diante das limitações do novo regulamento, restritivo a alguns recursos eletrônicos, os técnicos vão atuar em várias áreas do carro a fim de compensar, ao menos em parte, sua perda. Exemplo: já que não é mais permitido inserir um programa de computador na Secu que corte a ignição ou atue na mistura ar/combustível quando os sensores detectavam perda de tração, os engenheiros estão desenvolvendo programas que tornem as respostas de potência do motor naturalmente mais progressivas, homogêneas, gentis para o piloto.
A coisa não pára. Se não é possível por esse caminho procura-se outro. E é o que estão fazendo todas as equipes.

Quando eu conversar com minhas fontes nesses times rapidamente estarei mais preparado para comentar essa questão que é, hoje, preponderante do andamento da Fórmula 1. Mas observando aqui de longe o que acontece, o que com certeza ocorre é isso: todos tentando atenuar as dificuldades geradas pelas novas regras, daí, penso, os efeitos observados por Trulli. Na Toyota não é diferente.
Apesar de ser possível, me parece difícil acreditar que logo no início da utilização da Secu alguém possa infringir as regras.

Estou esperando falar com algum piloto para entender como está funcionando o freio-motor comandado por eles e não mais automático. Estou curiosíssimo. Vou ligar no fim de semana para algum técnico que conheço e esteve nesses treinos de Jerez e Valência para pedir alguma explicação. Vamos crescer juntos no tema, combinado?

Abraços!

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