Já falo da Espanha

liviooricchio

23 de abril de 2008 | 20h43

23/IV/08

Olá amigos!

Já estou na Espanha. Viajei de TAM. Ao contrário das últimas experiências, tudo funcionou impecavelmente. Fiquei com a nítida sensação de que aquele sufoco todo experimentado no auge da crise aérea no País, no qual as companhias tiveram sua responsabilidade, já passou. Ao menos o pior. Vou torcer para continuar assim, pois até o fim de setembro, pelas minhas contas, voarei boas 150 mil milhas com a TAM, o que significa quase uma noite por semana nos seus aviões, entre viagens de ida e volta.

Antes de vir para cá, Granollers, pequena cidade ao lado de Montmelò, onde se encontra o Circuito da Catalunha, 30 quilômetros ao norte de Barcelona, passei pelo autódromo, noite já. Chovia forte. Vi os caminhões da Super Aguri e os carros nos boxes semidesmontados. Sua participação na prova não está certa. Não que fosse modificar a ordem do campeonato, mas seria uma pena a Fórmula 1 perder uma equipe.

Carlos, obrigado por repensar sua decisão de deixar o blog. Acredite, fico feliz. Só me pergunto como você consegue tempo para expor seus comentários. Confesso que gostaria de interagir mais. Não dá. Esses deslocamentos todos tomam parte importante do meu tempo. Minha vida pessoal fica, por vezes, secundária até.

Seria excelente, da mesma forma, se o Marcão fizesse o mesmo. É um pedido, amigo. Se o Carlos acrescenta tecnicamente, em essência, o Marcão nos lança verdadeiros convites à reflexão sobre o ser humano. Posso, por vezes, nem concordar com os pontos de vista de ambos, mas, como são sempre bem argumentados, propõem verificarmos mais atentamente nossas visões. Ora, o que é isso se não nos oferecer a chance de, juntos, avançarmos no conhecimento, razão maior da existência desse espaço?

Li várias coisas aqui sobre a Renault. Tenho amigos dentro do time. Muitos. E importantes. Ainda não posso escrever, mas em breve o farei. Só dá para adiantar que a atual política administrativa da montadora não permitirá que a sua equipe de Fórmula 1evolua muito. E, sem resultado, seu presidente já afirmou que não permanece na competição. É uma grande incoerência. Não investe, corta tudo, e visa a conquistas. Não conhece nada mesmo de Fórmula 1.

O que mais me impressiona é a postura passiva de Flavio Briatore. Leva o seu como funcionário, e muito, recebe a comissão dos pilotos também, da mesma forma uma bela bolada, e pronto. Lava as mãos. Não vejo mais nele aquele idealismo responsável pelos títulos na Benetton e na própria Renault.

O que tem de fazer, em primeiro lugar, sem nenhuma presunção, por favor, é fazer o que sempre fez com determinação e autoridade: lutar pelo interesse do grupo, convencer Carlos Ghosn de que dispute a Fórmula 1 como ela exige ou deixe de queimar dinheiro e prejudicar a boa imagem da Renault. Do jeito que está, reduzindo a equipe a níveis incompatíveis com as necessidades até básicas Fórmula 1, é uma política absurda.

O que está claríssimo para mim, agora, é como a supereficiência dos pneus Michelin, concebidos especialmente para as características do modelo da Renault, mascararam as deficiências do seu chassi. O grupo de técnicos que hoje projeta o monoposto é exatamente o mesmo que levou Fernando Alonso a ser bicampeão em 2005 e 2006. O que mudou? O fornecedor de pneus, que agora disponibiliza unidade padrão a todos. O time tem de desenvolver o carro para o pneu e não, essencialmente, o fabricante de pneu para o monoposto.

No momento que a equipe precisa de mais investimentos para tentar superar suas dificuldades é exatamente quando menos dispõe. Inteligente, não?

Tem tanta coisa que ficou no ar dos muitos comentários que li dessa última série. Ao longo do fim de semana trocaremos mais idéias.

Abraços, amigos.

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