Jenson Alexander Lyons Button, com todos os méritos!

liviooricchio

29 de março de 2009 | 22h13

29/III/09
GP da Austrália
Livio Oricchio, de Melbourne

Jenson Button comentou, ontem, enquanto ria pela extraordinária vitória no GP da Austrália: “Logo depois da quarta volta no primeiro teste com o novo carro da Brawn GP, em Silverstone, compreendi que se tratava de um vencedor”. Seu companheiro, Rubens Barrichello, disse o mesmo ao deixar o cockpit do modelo BGP 001, em Barcelona. Ontem, a dobradinha Button-Barrichello na etapa de abertura do Mundial, em Melbourne, comprovou o que ambos e todos na Fórmula 1 imaginavam: ao menos neste momento a Brawn GP não tem adversários.

Se alguém ainda tinha dúvidas sobre a realidade da nova escuderia da Fórmula 1, comandada pelo competente engenheiro inglês Ross Brawn, o desempenho de Button e Barrichello ao longo das 58 voltas da corrida no circuito Albert Park certamente as desfizeram. Tudo bem que Rubinho percorreu um caminho bem mais longo para conquistar o segundo lugar, por enfrentar problemas na largada e envolver-se num acidente. Mas Ferrari e McLaren, por exemplo, tradicionais campeãs na Fórmula 1, sequer se aproximaram do líder absoluto da prova, Jenson Alexander Lyons Button, que obteve para a Inglaterra a vitória de número 200 na Fórmula 1, a segunda da carreira.

“Eu pedi a meu engenheiro, pelo rádio, que me beliscasse. Isso foi logo na quinta volta da corrida, quando eu já havia aberto uma vantagem de cinco segundos, que momento especial”, falou Button, que abraçava todo mundo. O surpreendente e talentoso Sebastian Vettel, da Red Bull, estava em segundo lugar. “Rubens facilitou a minha vida ao me permitir ir embora no início”, comentou Button, enquanto olhava Rubinho do lado, que demonstrou não gostar muito. Não ficou esclarecido se a queda da segunda posição no grid para a sétima no final da primeira volta decorreu de um erro de Rubinho no procedimento de largada ou uma falha do equipamento.

“Eu controlava os tempos de Vettel para saber o que ele poderia fazer”, explicou o vencedor da primeira etapa da 60.ª temporada da Fórmula 1. Como os demais pilotos, Button descreveu em detalhes as imensas dificuldades com os pneus no GP da Austrália. Os moles se degradavam depois de cinco voltas e os duros não atingiam a temperatura correta para oferecer boa aderência. “Quem me viu liderar a prova não tem ideia do que foi administrar o uso dos pneus e os sérios problemas da falta de visibilidade”.

A reta dos boxes e a seguinte, depois da curva 1, apontam para o Oeste. “Iniciar a corrida nesse horário (17 horas) tornou as coisas muito difíceis para nós que tínhamos o sol de frente, na nossa cara, além de a queda brusca da temperatura no fim de tarde afetar o aquecimento dos pneus.” Mas nada disso tirou o ânimo de Button e do festivo público nas arquibancadas: “Vamos desenvolver nosso carro com os poucos recursos de que dispomos para nos mantermos nesse nível, mas sei que não será possível”, previu o inglês.

A possibilidade de o Tribunal de Apelações da FIA rever o resultado final, em Paris, não preocupa Button: “Estamos aqui para dar espetáculo, tirar o máximo do equipamento, e foi o que fizemos no fim de semana e faremos no seguinte. Só nos cabe esperar a decisão da FIA”. Ferrari, Red Bull e Renault protestaram contra o difusor (componente do conjunto aerodinâmico) da Brawn e o recurso será julgado dia 14.

Por mais otimista que fosse a previsão de Lewis Hamilton, da McLaren, como ele mesmo contou, ontem, em nenhum instante supôs que terminaria a competição no pódio. “Eu estava tentando obter um ponto e de repente ganhei seis. Disputei uma das minhas melhores corridas.” Como Rubinho, reconheceu que os vários acidentes o ajudaram muito a crescer na classificação. A McLaren demonstrou estar ainda mais distante que a Ferrari das melhores equipes neste início de ano: Brawn GP, Red Bull, Toyota e Williams.

A próxima etapa do Mundial, já domingo, no circuito de Sepang, na Malásia, poderá pelas características distintas da pista em relação à da Austrália oferecer panorâmica diversa da de ontem no Albert Park, embora ninguém retire, desde já, o favoritismo do sensacional carro da Brawn GP.