Justiça particular

liviooricchio

22 de julho de 2012 | 17h29

22/VII/12
Livio Oricchio, de Hockenheim

Amigos, esse é o texto de minha coluna na edição desta segunda-feira no Jornal da Tarde

Da 34.ª a 41.ª volta, das 67 da corrida, ontem no GP da Alemanha, Lewis Hamilton, da McLaren, apenas o 17.º colocado, ultrapassou Sebastian Vettel, da Red Bull, segundo àquela altura. O piloto inglês passou sobre partes do aerofólio dianteiro da Ferrari de Felipe Massa, no início da segunda volta, e furou o pneu traseiro esquerdo. Massa havia colidido com a Toro Rosso de Daniel Ricciardo na largada. Hamilton perdeu muito tempo ao regressar aos boxes e substituí-lo, por isso ocupava as últimas posições, uma volta atrasado.

Vettel lutava com Alonso pela liderança da prova em Hockenheim. Na volta anterior a ser ultrapassado por Hamilton, a diferença do alemão para o piloto da Ferrari era de 9 décimos de segundo, apenas. Uma volta depois de Hamilton ultrapassar Vettel, este cruzou a linha de chegada um segundo e sete décimos depois de Alonso. O piloto da Red Bull perdeu 8 décimos de segundo preciosos na luta pelo primeiro lugar.

“Se ele quer ser rápido, deixe um espaço para o pelotão da frente e então comece a acelerar. É estúpido atrapalhar os líderes”, disse Vettel sobre o comportamento de Hamilton. “Acredito que o tempo que perdi potencialmente explica eu perder a posição (segundo lugar) para Jenson (Button).” Hamilton ultrapassou Vettel e ficou na sua frente, sempre rápido, é verdade, até a volta 41, quando o alemão fez seu segundo e último pit stop. Vettel perdeu tempo com a McLaren na frente. Button havia parado uma volta antes para trocar os pneus. Quando o piloto da Red Bull deixou os boxes, viu o inglês da McLaren passar alguns metros a sua frente para assumir a segunda colocação.

Depois da corrida a discussão ganhou importância no paddock: pode um piloto retardatário, como Hamilton, ultrapassar os líderes, e com isso fazê-los perder tempo, como de fato aconteceu com Vettel? Quando o alemão entrou para o pit stop, na 41.ª volta, já estava a mais de dois segundos de Alonso, enquanto uma volta antes de Hamilton ultrapassá-lo, a nove décimos de segundo. Christian Horner, diretor da Red Bull, lembrou que a punição a Vettel, na penúltima volta, decorreu da sua tentativa de ultrapassar Button para recuperar a segunda colocação perdida quando Hamilton prejudicou seu ritmo. Dá a entender claramente que não há sentido no comportamento de Hamilton, um piloto em 17.º lugar comprometer a luta pela vitória.

O objetivo de Hamilton era ultrapassar também Alonso, líder do GP da Alemanha, para recuperar a volta perdida com a parada para substituir o pneu furado. Se houvesse um safety car, poderia encostar no pelotão e entrar na luta por pontos, já que a McLaren pareceu ser o carro mais rápido no asfalto seco em Hockenheim. “Tive muito azar. Era apenas o oitavo colocado na segunda volta e tive um pneu furado nos detritos. Pelo menos me diverti bastante por poder manter o ritmo dos líderes. Saio da Alemanha entusiasmado com a nova versão de nosso carro, muito veloz.”

A declaração de Hamilton mostra bem o que se passou, ontem, em Hockenheim: enquanto ele se divertia ao usar o flap móvel, ultrapassar Vettel e manter-se a sua frente, sendo o 17.º colocado na corrida, o alemão da Red Bull via o líder Alonso se distanciar e ainda Button ganhar sua segunda colocação no pit stop, sete voltas mais tarde. Por fim, para reultrapassar Button, na penúltima volta, Vettel usou a área externa da pista na curva 6 e acabou, coerentemente, punido. Levou para casa o apenas os 10 pontos do quinto lugar em vez dos 18 do segundo. Mais: viu Alonso abrir 8 pontos a mais de si, terceiro, na liderança do Mundial, 154 a 110.

A justiça da Fórmula 1 é, por vezes, bastante particular. Ao ver Hamilton na frente de Vettel e a diferença para Alonso aumentar, por o piloto da Red Bull estar sendo atrapalhado e em razão do desgaste de seus pneus também, importante destacar, a direção de prova deveria ordenar aos bandeirinhas expor a bandeira azul para o inglês da McLaren, a fim de, como retardatário, deixar Vettel reultrapassá-lo e não prejudicar seu ritmo. Não foi o que aconteceu.

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