Kimi conhece potencial da Ferrari. Por isso, sua preocupação, depois do treino, é com o jogo de hóquei sobre o gelo.

liviooricchio

05 de abril de 2008 | 12h20

05/IV/08
GP de Bahrein
Livio Oricchio, de Manama

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Enquanto caminhava no paddock, depois da sessão classificatória, ontem, Kimi Raikkonen não parecia muito preocupado com o quarto lugar no grid. Sua atenção maior, naquele instante, estava na Finlândia. Seu time de coração no hóquei sobre o gelo, Espoo Blues, enfrentava, naquele instante, o Karpat, pela primeira partida da série de sete que apontará o campeão nacional. “Heikki, telefona para lá e veja como está o jogo”, solicitou ao amigo Heikki Kulta, do jornal Turun Sanomat.

E não é que o jornalista foi obrigado a lhe dar má notícia? O Karpat acabara de fazer seu primeiro gol. O jóquei sobre o gelo é uma paixão de Raikkonen, também conhecido como “homem de gelo”, pela sua constância emocional. Mas quem o vê assistir a uma partida, no estádio, não acredita: “Torce mesmo, transforma-se”, conta Kulta.

Terça-feira, Raikkonen comprou um camarote para acompanhar no Hartwall Arena, em Helsinque, um dos jogos das semifinais entre o Espoo Blues e Jokerit. O adversário abriu 3 a 1 na melhor de 7, mas mesmo assim o Espoo virou o placar de vitórias para 4 a 3 e, pela primeira vez na sua história, disputa a final.

Riku Kuvaja é amigo pessoal de Raikkonen e seu assessor direto. “Dividmos a tela do laptop, no hotel, quinta-feira (já em Bahrein), para assistir à partida em que o Espoo fez o 4 a 3, Kimi festejou muito”, disse. Não há transmissão ao vivo para a TV local. O piloto da Ferrari tem amizade com alguns jogadores do Espoo. Recentemente, adquiriu a residência do proprietário da equipe, na região mais sofisticada de Helsinque. Espoo, sua cidade, encontra-se ao lado da capital finlandesa.

O filho do operador de trator cuja casa não possuía banheiro dentro, apesar do fio glacial da Finlândia, é junto de Fernando Alonso o piloto mais bem pago da Fórmula 1, com rendimentos anuais próximos dos US$ 30 milhões. “A possibilidade de o Espoo ser campeão está tirando Kimi do sério”, diz seu amigo, Kulta.

O campeão do mundo mantém sua vida privada fechada a sete chaves. Por esse motivo aconselhou as pessoas a esquecerem um pouco o que fez o presidente da FIA, Max Mosley. Seus amigos é quem contam o que faz: “Com o aerobarco chegamos a Talin, na Estônia, em meia hora. É lá que Kimi se diverte com competições de motocross”, conta Kulta. A Ferrari sabe disso e não o proíbe, apesar de ter consciência dos riscos de, eventualmente, seu piloto aparecer com a mão engessada.

FIM

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