Kubica: "Alonso na BMW? Se vier, vou melhorar meu espanhol e jogaremos mais cartas"

liviooricchio

24 de abril de 2008 | 19h37

24/IV/08
Livio Oricchio, de Barcelona

O piloto mais surpreendente depois de três etapas disputadas vem do Leste Europeu, fato inédito na história da Fórmula 1. Robert Kubica, 23 anos, da BMW, já é uma atração do Mundial pelos dois pódios seguidos, segundo na Malásia e terceiro em Bahrein. Hoje, no Circuito da Catalunha, o polonês começa os treinos livres do GP da Espanha com um só pensamento: “Vencer, claro, e assumir a liderança do campeonato”. A primeira sessão de treinos começa às 5 horas, horário de Brasília.

Ele é o protótipo do antipiloto: alto, sete quilos ainda mais magro este ano, e de feições distantes do modelo desejado pelos patrocinadores, com seu jeitão desengonçado, nariz adunco pronunciado e calvice avançada, feio em outras palavras. Mas quando senta no carro da BMW, veste o capacete e a corrida começa, Kubica já é visto como um futuro campeão do mundo. Soma 14 pontos, como Lewis Hamilton, da McLaren, terceiro colocado. Kimi Raikkonen, da Ferrari, está em primeiro, 19.

“Estou aqui para conquistar o título”, afirma, como sempre, sem medir as palavras. “Acho que é por isso, dizer o que penso, que percebo muitas pessoas gostarem de mim.” Hoje a concorrência será dura. Raikkonen e Felipe Massa vêm muito fortes depois do ótimo treino da Ferrari semana passada na pista de Barcelona. “Verdade, mas nós também evoluímos”, lembra o polonês que tem no capacete João Paulo II, seu herói, de Cracóvia, como ele. Esse aspecto de sempre colocar-se na condição de também poder vencer, sem ser arrogante, é uma das características da forte personalidade de Kubica.

A “lei” de que só deve responder o politicamente correto não vale muito para esse jovem talento da Fórmula 1. “Este ano a equipe me ouviu, substituiu meu engenheiro, mudei a maneira de acertar o carro e os resultados estão aí.” Não fosse um equívoco da BMW, de alterar sua estratégia durante a prova na Austrália, Kubica teria grandes possibilidades de ser segundo, o que lhe daria oito pontos e a liderança do Mundial.

Um pouco da sua maneira de pensar: “Não posso ir ao supermercado no meu país porque me tornei popular, recebo muito carinho. Mas não busco a fama, meu objetivo não é ser famoso.” Ou: “Fernando Alonso na BMW? Não sei se existe lugar para ele. Se vier, vou melhorar meu espanhol e jogaremos mais cartas.” Ambos são parceiros de pocker. Ganhar milhões, comprar jatinho ou iate, como outros pilotos. “Não é a minha realidade. Eu me acostumei desde cedo a viver com muito pouco. Meu verdadeiro prazer não é esse, mas acelerar um carro que me permita vencer.”

FIM

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