Kubica está chocado e sofrendo com o que aconteceu

liviooricchio

08 de fevereiro de 2011 | 04h22

08/II/11

Livio Oricchio, de Pietra Liguria, Itália

  Logo ao amanhecer do dia, ontem, o doutor Giorgio Barabito, médico-chefe da unidade de terapia intensiva do Hospital Santa Corona, em Pietra Liguria, Itália, reduziu a dosagem do sedativo administrado ao piloto Robert Kubica. “Necessitávamos realizar algumas avaliações neurológicas e a família gostaria de falar com o paciente”, explicou. Depois dos pais e da namorada, seu amigo e empresário, Daniele Morelli, conversou com o polonês: “Contei a extensão do ocorrido, as lesões, as fraturas, e Roberto ficou em choque. Entendeu que ficará de fora por um bom tempo e está sofrendo com isso. Quinta-feira ele já voltaria a pilotar o novo carro da Lotus Renault, em Jerez.”

  Nunca Kubica esteve tão animado antes de começar a temporada. “É a primeira vez que o seu time concebe o carro a partir integralmente da orientação de Robert”, explica Morelli. “E os primeiros testes parecem promissores.” A Lotus Renault compreendeu que Kubica é o piloto que a permitiria lutar pelas vitórias novamente e, em breve, pelo título. Agora, enquanto o polonês de 26 anos chora profundamente o acidente de domingo, na prova de rali em Andora, cidade localizada ao lado de Pietra Liguria, a escuderia que tem até novo sócio está perdida. Está sem referência. Quem poderá substituí-lo com ao menos um pouco do seu talento e experiência?

  “Imagine que Robert me pediu para levá-lo para casa”, disse Morelli, ontem, sorrindo. A reação do empresário, dos pais e da namorada era de alegria, apesar das incertezas quanto ao futuro profissional do piloto. As fraturas podem comprometer sua volta à Fórmula 1, embora seja cedo para qualquer prognóstico, como garantiu o cirurgião que operou sua mão direita, Igor Rossello, a mais afetada pela penetração da lâmina do guard rail dentro do carro e responsável por dilacer perna, mão e braço direito do piloto.

  “Estamos felizes porque 12 horas atrás a dúvida era se Robert sobreviveria. Quando chegou ao hospital seu quadro era crítico”, comentou Morelli. “E agora até já projeta a sua saída da UTI.” O próprio empresário se antecipa à questão do inoportunismo da corrida de rali, a apenas um mês do início da temporada da Fórmula 1 (dia 13 de março em Bahrein) e em plenos treinos preparatórios. “Robert ama competir de rali e disputamos 12 provas até então sem nenhum problema. Aliás, não tinha pensado nisso, esse parece que foi nosso 13.º rali.” Na Fórmula 1 a aversão ao número 13 é tão grande que nenhum piloto corre com ele.

  “Não existe nada no contrato que nos impede de participar das competições de rali e para essa prova, em especial, solicitamos também a autorização à equipe e fomos atendidos”, falou o empresário. O chefe da Lotus Renault, Eric Bouillier, em entrevista à imprensa inglesa, defendeu a iniciativa de Kubica. “Os pilotos não são robôs”, desejando dizer que têm direito de praticar seus esportes.

   Como foi numa atividade não relacionada, ao menos diretamente, ao trabalho na Fórmula 1, a pergunta é inevitável: quem pagará os bons milhões de euros que Kubica recebe por ano (estima-se que o contrato deste ano é de 6 milhões de euros (cerca de R$ 14 milhões)? “Todo piloto tem um seguro”, diz Morelli. “Mas a essa altura isso é o que menos nos interessa”, comenta. “Estamos conscientes do que nos aguarda, o quanto teremos de trabalhar até Robert estar em condições de sentar num cockpit novamente.”

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