Kubica mudou sua opinião sobre a pista

liviooricchio

22 de agosto de 2008 | 17h26

22/VIII/08
Livio Oricchio, de Valência

Quando faltavam alguns minutos para o meio dia, a maioria dos pilotos e chefes de equipe dirigiu-se a uma pequena área do paddock onde há uma enorme bandeira da Espanha. Esperavam o sino do relógio do edifício da alfândega de Valência, ao lado, no porto, sinalizar a hora para junto com o presidente da Comunidade de Valência, Francisco Camps, e a prefeita da cidade, Rita Barberá, prestar um minuto de silêncio pelas vítimas do acidente aéreo que matou 153 pessoas, em Madrid, quarta-feira.

Depois de elogiarem bastante o circuito de 5.419 metros de Valência, quinta-feira, alguns pilotos reviram sua opinião, ontem, após terem realizado os dois primeiros treinos livres. “A pista é larga, o que permite que transformemos trechos em curva quase numa reta. O que percebi foi, de novo, um traçado acelera-breca, sem maiores desafios”, disse Robert Kubica, da BMW.

Poucos entenderam corretamente o que Kimi Raikkonen disse no rádio a certa altura da sessão da tarde. Parecia reclamar da presença de torcedores dentro da pista, no trecho da ponte, entre as curvas 9 e 10. E era mesmo isso: alguns fãs pularam a cerca para ver seus ídolos mais de perto, como por vezes ocorre nas provas de motocicleta na Espanha. “Eu também vi os caras lá”, disse Massa. A organização os expulsou e prometeu melhor controle.

Última colocação para Rubens Barrichello foi um pouco demais. O piloto explicou ter modificado o acerto do carro do treino da manhã para o da tarde e, com isso, “dispor de um monoposto inguiável”. Além do completo desequilíbrio, enfrentou dificuldades com os freios, o que num traçado onde esse componente conta muito, como descreveu, “torna impossível ser veloz”.

Nelsinho Piquet permaneceu com a opinão inicial de que a pista é, de fato, bastante interessante. “Dentro do carro é divertido, apesar da pouca aderência”, disse. A freada da curva 25, a última, é complexa, comentou: “Freamos com o volante um pouco virado, o que faz com que o carro tenha a tendência de escapar. E a aproximação da curva é em 7ª marcha a 316 km/h”. Estava contente por ter dado, ontem, 64 voltas, mais de um GP, que terá 57. “O acerto do carro não está ruim, dá para pensar em pontos de novo.”

O quinto tempo do líder do campeonato, Lewis Hamilton, da McLaren, ontem, teve uma explicação: “Todos treinaram o máximo possível à tarde para acumular dados, o circuito é novo”, falou. “Não registrei melhor marca porque não encontrei pista livre nenhuma vez. Mas estou satisfeito com nossa velocidade.” Comentou ser fundamental somar pontos nas próximas corridas, dando a entender que se tiver de correr muitos riscos para vencer, vai considerar muito um eventual segundo lugar. Ele tem 62 pontos diante de 57 de Raikkonen e 54 de Massa.

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