Kubica queria saber se ficou paralítico

liviooricchio

09 de fevereiro de 2011 | 07h13

08/II/11

Livio Oricchio, de Pietra Liguria

  Antes de receber a visita do chefe da sua equipe, Eric Boullier, e do companheiro de Lotus Renault, o russo Vitaly Petrov, Robert Kubica pediu para conversar em particular com o empresário, Daniele Morelli. “Robert me perguntou se o acidente o deixou paralítico. Pediu que eu fosse sincero. Disse-lhe que não. Respondi que ele não tem nenhum problema que o tempo não possa sanar. Robert se emocinou”, contou Morelli, ontem, no hospital Santa Corona, onde está internado, em Pietra Liguria, na Itália.

  O encontro, a seguir, com Boullier e Petrov foi animado, apesar do estado de analgesia do piloto polonês. “Robert desejava saber a programação da equipe já para os testes de Jerez de la Frontera”, disse Boullier, rindo, à saída do encontro. De amanhã a domingo os times da Fórmula 1 vão treinar no circuito, no sul da Espanha. Talvez para não se sentir ainda mais atingido com a interrupção dos seus arrojados sonhos, este ano, Kubica não perguntou a Boullier quem irá substituí-lo.

  O francês declarou que os nomes são os que circulam na impresa, Bruno Senna, Nick Heidfeld, Vitantonio Liuzzi, por exemplo. O fato é que hoje a escuderia deverá informar quem vai treinar em Jerez. O mais provável é que seja Bruno Senna e, nesse caso, o teste tem caráter de vestibular para o sobrinho de Ayrton Senna. Um bom resultado, ou seja, unir velocidade com constância e eficiente retorno técnico aos engenheiros, poderá lhe render o que sempre desejou, competir numa equipe de Fórmula 1 estruturada, onde possa expor sua capacidade.

  O médico que acompanha Kubica mais de perto, o chefe da unidade de terapia intensiva, doutor Giorgio Barabino, concluiu que o piloto acidentado domingo, numa prova de rali, poderá passar por duas cirurgias menores, amanhã: “Intervenção no pé direito e na escápula. Terá ainda de passar por algo semelhante no calcanhar direito, mas mais tarde.”

  A principal cirurgia ortopédica, no entanto, ainda não foi realizada. Será o resultado dessa operação que dirá mais de todas as demais sobre o retorno de Kubica às pistas: o cotovelo direito. Barabino explica: “A articulação está comprometida com o impacto de alta energia”. Mais: “Não é possível operar o paciente agora porque exigiria que ele permanecesse três horas com as costas voltadas para cima, como esse procedimento pede”, falou. “Ainda não é hora de submeter o paciente a esse esforço respiratório (permanecer com o ventre sobre a maca).”

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.