Long Beach de volta à F-1? Seria bárbaro, mas é pouco provável.

liviooricchio

30 de abril de 2013 | 18h38

30/IV/13
São Paulo

Li hoje, terça-feira, uma nota no site www.totalf1.com que se o projeto anunciado for levado adiante vou ficar feliz: Bernie Ecclestone confirmou ter iniciado conversações com os promotores do GP de Long Beach de Fórmula Indy para eventualmente a Fórmula 1 substituir a categoria norte-americana a partir de 2015. O contrato com a Indy termina em 2014. Curiosamente, a Indy substituiu a Fórmula 1em 1985. A competição europeia se apresentou nessa agradável cidade do sul da Califórnia de 1976 a 1984.

Será surpreendente se essas negociações preliminares crescerem. As declarações de Ecclestone soam mais como uma mensagem para os organizadores da prova de Nova Jersey, ao lado de Nova York. Eles deveriam fazer parte do calendário já este ano, mas alegaram dificuldades para a montagem do circuito nas ruas da cidade e prorrogaram para 2014 a estreia no Mundial. O real motivo, no entanto, foi encontrar os fundos necessários para as obras e o pagamento da taxa cobrada pela Fórmula 1, estimada, no caso de Nova Jersey, em US$ 15 milhões por edição do evento.

Ao dizer que conversa com Long Beach Ecclestone deixa claro que se os responsáveis pela corrida de Nova Jersey não derem garantias de que podem receber a Fórmula 1 outro estado da federação, até com história na categoria, pode fazê-lo. Muito provavelmente na Costa Leste, no caso de Nova Jersey, ou na Oeste, Long Beach, os profissionais da Fórmula 1 iriam apreciar bastante. É muito, mas muito diferente fazer parte de uma disputa esportiva no Estados Unidos e na Europa.

Ao contrário das provas no Velho Mundo em que tudo é proibido, até mesmo para a imprensa, na América tudo, ou quase tudo, é permitido. Outros conceitos regem a organização de um evento em um e outro lugar.

Escrevi no início que torço por Long Beach, apesar da possibilidade apenas remota dessa mudança de rumo, porque acompanhei algumas edições das corridas lá realizadas. Eu ainda era estudante de Medicina Veterinária na Universidade de São Paulo, mas já via o jornalismo com grande paixão também, quando viajei para a Califórnia. E assisti às provas de 1980 e 1981 em Long Beach.

A de 1980 tem significados especiais: foi a primeira vitória de Nelson Piquet na Fórmula 1, com Brabham-Ford, e o último pódio de Emerson Fittipaldi, terceiro colocado, com seu Fittipaldi-Ford. Num dia oportuno vou lhes contar como entrei no paddock e o que fiz durante a corrida, ao lado de Wilsinho Fittipaldi, chefe da equipe. Foi uma realização pessoal.

Quando me lembro como era a Fórmula 1, a relação dos pilotos, engenheiros, dirigentes, com todos, e comparo com o que enfrento hoje, como profissional de comunicação, compreendo que a única coisa em comum entre uma e outra era é a competição de veículos com quatro rodas, e nem sempre foi assim porque a Tyrrel já teve monoposto de seis rodas, em 1976 e 1977.

Sobre isso, no dia que conversei com Ecclestone, em Xangai, a respeito do GP do Brasil, expressou seu inconformismo com o controle “doentio” dos pilotos. “É ridículo você ver esses homens atravessando o paddock com uma moça ou um rapaz do lado orientando-lhes o que responder nas perguntas.” Não era jornalista naqueles tempos, mas pude ver de perto como era profundamente mais fácil exercer nossa atividade. Havia notícia por todo lado, sem administração ostensiva de acesso aos personagens e muito menos ao que eles iriam dizer.

Situação oposta a de hoje, em que recebemos o que defino como “kit informação” repassada pelos pilotos, mas como resultado de discussão prévia sobre o que deve ser dito e o que é expressamente proibido. E esse kit é o mesmo para todos. Frase de Ecclestone e que já escrevi em outros textos: “É proibido, hoje, ser espontâneo na Fórmula 1”.

Abraços, amigos!

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