Lotus, ameaça real a Ferrari e Mercedes na luta pelo vice

liviooricchio

16 de outubro de 2013 | 13h43

16/X/13
Nice

Stefano Domenicali, da Ferrari, e Toto Wolff, da Mercedes, vêm declarando que o foco principal de suas equipes, uma vez que o título de pilotos e construtores já está praticamente definido, é no projeto de 2014.

“Temos ainda alguns componentes que serão introduzidos no carro deste ano (F138), mas nossos estudos, hoje, se concentram no modelo do ano que vem que é muito diferente do atual e a cada simulação que fazemos descobrimos coisas novas. É um imenso desafio para todos”, disse Domenicali.

Mas talvez tanto o diretor da Ferrari como da Mercedes tenham de voltar a pensar de novo no campeonato em curso se é do seu interesse terminar em segundo lugar entre os construtores. A razão é simples: a Lotus evoluiu bastante o seu modelo E21-Renault, somou bem mais pontos que Ferrari e Mercedes nas duas últimas provas, Coreia e Japão, e já representa uma ameaça para ambas na luta pelo vice.

Vale lembrar que com o novo Acordo da Concórdia cabe ao vice nessa disputa nada menos de 85 milhões de euros, mais da metade do orçamento da Lotus nesta temporada, estimado em 160 milhões.

Depois de 15 etapas, a Red Bull é a líder muito à frente, com 445 pontos, seguida da Ferrari, com 297, Mercedes, 287, e Lotus, 264.
A diferença da Lotus para a Ferrari, hoje vice-líder, é de 33 pontos. Não é grande. A cada prova um time pode somar até 43 pontos, decorrentes de 25 do vencedor e 18 do segundo colocado.

Mais eficiência

Um dado importante que reforça a ameaça da Lotus a Ferrari e Mercedes pelo vice entre os construtores: Kimi Raikkonen e Romain Grosjean somaram na corrida da Coreia 33 pontos, com os dois no pódio. O finlandês em segundo e o francês em terceiro. No Japão, Grosjean foi terceiro e Raikkonen, quinto, ou seja, a Lotus conquistou mais 25 pontos. Entre os dois Gps a Lotus levou para casa 58 pontos. A Ferrari, 23. A Mercedes, 20.

Mais: o modelo E21-Renault da Lotus melhorou em classificação, haja vista as posições de largada de Grosjean, terceiro em Cingapura e Coreia e quarto no Japão, e seu ritmo de corrida, antes já muito bom, agora tornou-se ainda melhor com a versão entre eixos mais longa, dentre outras mudanças introduzidas.

“Temos de estar atentos a Lotus. Eles vem crescendo bastante. A nossa luta para ser vice entre os construtores não é agora somente com a Mercedes”, disse Domenicali, em Suzuka. “Além de estarem muito mais eficiente nas sessões de definição do grid são os que melhor preservam os pneus.”

O chefe de equipe da Lotus, o engenheiro francês Eric Boullier, comentou o momento da sua escuderia nessa disputa que vale milhões de euros. “A pressão está sobre eles (Ferrari e Mercedes), não sobre nós. Parece-me que estamos a 23 pontos da Mercedes e a 33 da Ferrari. Se pudermos manter esse ritmo, sei que é um plano ambicioso, podemos terminar em terceiro. Velocidade é importante, mas temos de transformá-la em pontos.”

Boullier não diz, mas sua meta é ser vice depois de constatar o avanço de seu carro potencializado pela estagnação no desenvolvimento de Ferrari e Mercedes.

Motores quase de graça

O quarto lugar, atual posição da Lotus, recebe da Formula One Management (FOM) 70 milhões de euros e o segundo, 85 milhões. Essa diferença, 15 milhões, é quase quanto vai custar o fornecimento de motores e os dois sistemas de recuperação de energia, kers, da Renault, 19 milhões.

Para uma organização que enfrenta dificuldades financeiras como a Lotus, com atraso de pagamento a Renault, por exemplo, pelos uso de seus motores e kers este ano, ser vice representaria quase que não ter de pagar pela unidade turbo e os dois kers em 2014.

Festa para Vettel e Red Bull

O título de pilotos deve ser definido para Sebastian Vettel, da Red Bull, na próxima etapa, dia 27, no circuito de Buddh, na Índia, próximo a Nova Delhi. Basta a quinta colocação, independentemente na posição de chegada de Fernando Alonso, da Ferrari, para o alemão celebrar o tetracampeonato.

E são elevadas também as chances de a Red Bull tornar-se tetra entre as equipes. A diferença de pontos para a Ferrari, segunda colocada, é de 148 pontos (445 – 297). Depois da prova na Índia restarão três corridas para o encerramento do campeonato, o que significa que haverá em jogo 129 pontos (43 x 3).

Como hoje a diferença já é de 148 pontos, a Ferrari tem de descontar na próximo GP 19 pontos (148 – 129) para a Red Bull não ser tetra. Diante do histórico não apenas das últimas etapas mas da temporada, é pouco provável. Pela lei das probabilidades Vettel e a Red Bull devem fazer a festa no GP da Índia.

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