Lotus com o duto aerodinâmico nos dois carros. A McLaren, ainda não.

liviooricchio

31 de agosto de 2012 | 11h58

31/VIII/12

Livio Oricchio, de Spa

Amigos, pude observar em detalhes ontem, enquanto os carros permanecem em fila indiana, na frente dos boxes, aguardando a inspeção técnica, os modelos McLaren MP4/27-Mercedes e Lotus E20-Renault. É um momento único na programação da Fórmula 1.

Um a um os carros entram no box 1, reservado ao grupo coordenado pelo engenheiro mecânico alemão Jo Bauer, delegado técnico da competição, para as checagens. Há um enorme gabarito no solo. Os mecânicos empurram seus monopostos até subir nele e depois acompanham o trabalho dos comissários.

É lento, por isso os carros permanecem bom tempo na fila. Por estarmos ao seu lado, podemos vê-los em detalhes. Os mecânicos costumam ser simpáticos nessa hora e eventualmente até respondem alguma pergunta, em especial se te conhecem. Eles têm orientação obsessiva das assessorias de imprensa dos seus times para não conversar com os jornalistas.

A não ser que eu esteja cometendo um erro primário, não vi no MP4/27 da McLaren nenhum sinal de duto aerodinâmico, conforme se esperava e cheguei a escrever no blog. Pode ser que ao longo do fim de semana apareça algo que nos leve a detectar o sistema. Perguntei ao meu amigo Giorgio Piola, da revista Autosprint, dentre outras publicações, e disse-me não ter visto também o duto aerodinâmico na McLaren. E ele é muito mais preparado do que eu para essas detecções.

Já a Lotus tem o duto nos dois carros, de Kimi Raikkonen e Romain Grosjean. E pelo que pude entender, é mais complexo do que pensava, por fluir o ar no perfil baixo do aerofólio traseiro, aumentando sua capacidade de gerar pressão aerodinâmica, e um ramal seguir da direção do perfil alto, o verdadeiro aerofólio. E nesse caso o objetivo é atuar no bordo de ataque do perfil de asa, ou a parte frontal do aerofólio, de maneira a fazê-lo gerar menos e não mais pressão aerodinâmica, a fim de permitir ao carro ser mais veloz nas retas.

Um dos integrantes da Lotus disse-me que os dois pilotos vão utilizar o sistema. Deu para ver, ainda, que a Mercedes incorporou no W03 de Nico Rosberg um sistema semelhante, pelo menos na disposição dos tubos, ao da Lotus. O funcionamento não está claro para mim.

Hoje foi um dia perdido, por causa da chuva. Ninguém andou. Uma ou outra volta isolada, mas diante da possibilidade elevada de bater o carro, por aquaplanagem, todos preferiram permanecer nos boxes. Pelo rádio, numa das duas voltas que Felipe Massa completou à tarde, disse ao seu engenheiro: “Estamos aquaplanando até nas retas”.

Gianpaolo Dall’Ara, chefe dos engenheiros da Sauber, com quem apreciei minha sobremesa no motorhome do time suíço, hoje, explicou-me que a previsão de todas as escuderias é de pista seca para amanhã e domingo, daí não treinarem hoje.

Assim, Lotus e Mercedes não puderam saber se tudo funciona na pista como os ensaios estáticos nas suas sedes, em razão de não terem praticamente deixado os boxes, de manhã e à tarde. Será amanhã, na sessão livre, se não chover como hoje, que vão obter a resposta e, então, decidir pelo uso ou não do duto aerodinâmico na sessão de classificação, à tarde, e na corrida, domingo.

Vou continuar atento ao carro da McLaren, amanhã, para ver se Lewis Hamilton e Jenson Button vão experimentar o seu duto aerodinâmico. Aqui em Spa pode fazer uma diferença significativa no tempo de volta.

A título de esclarecimento, Charlie Whiting, delegado da Fórmula 1 da FIA, disse-me: “O duto aerodinâmico não está proibido. O que não é permitido é o piloto comandar o seu acionamento. Se ele for sem a interferência do piloto não é irregular”.

Agora são 16h35 para mim, 11h35 na hora oficial do Brasil, e a chuva não parou. Aliás, não deu uma trégua. A temperatura caiu de 12 para 11 graus e chegaremos a 7 graus à noite. É o verão nas Ardenas. O treino de definição do grid da GP2 está próximo de acabar. A temperatura do asfalto é de 11 graus, baixíssima. É difícil fazer os pneus Pirelli atingirem a faixa de temperatura ideal para a melhor reposta de aderência.

Abraços!

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