Madonna de Campiglio: nosso primeiro encontro!

liviooricchio

09 de janeiro de 2011 | 08h47

09/I/11

Olá amigos!

 Desde 1999 o meu ano profissional começa em Madonna di Campiglio. A primeira vez que lá estive. Trata-se de uma estação de esqui na região do Trentino, no norte da Itália, maravilhosa, onde a Ferrari promove o encontro de seus pilotos e alguns diretores com um grupo de jornalistas convidados. A experiência nos Alpes cobertos de neve é extraordinária.

 No ano passado a direção da Ferrari me solicitou que escrevesse um capítulo do elegante livro editado para celebrar os 20 anos do Wrooom, como definem o encontro de Madonna di Campiglio. Pedi que fosse o da edição de 2000. Quando eles leram, vieram me perguntar se era mesmo verdade o que havia escrito. Recomendei perguntar a Michael Schumacher, Luca Badoer e para o Rubinho também para saber se procedia a história contada.

 Para resumir, lá pelas 2 horas da manhã da nossa segunda noite em Madonna, quando estávamos no bar do refinado Golf Hotel, Rubinho foi ensinar Schumacher a fazer caipirinha, na frente dos poucos jornalistas que os acompanhavam. Temperatura exterior: 8 graus negativos. Ai se você não aceitasse um copo da caipirinha produzida por Schumacher e oferecida por ele próprio numa bandeija. O alemão colocou a coisa de maneira compulsória: tínhamos de retirar um copo!

 A essa altura ele já vinha de elevadas doses de sua bebida favorita em Madonna, a grapa, feita com o bagaço da uva, de elevado teor alcoólico. O melhor vem na sequência: enquanto Rubinho conversava conosco – lembrem-se de que aquele era seu primeiro ano na Ferrari e tudo lhe representava novidade -, Schumacher e Badoer escaparam de fininho e foram até seu quarto. Lá, acreditem, os dois retiraram o colchão da cama de Rubinho, o colocaram na escada, entre um andar e outro, e regaram o carpete do quarto, bem como algumas de suas roupas, com champanhe.

 Eu não tinha onde dormir e nem o que vestir hoje de manhã”, nos contou Rubinho, no dia seguinte. Como “recompensa” pelo comportamento pueril, Schumacher precisou que lhe emprestassem tênis porque os seus calçados serviram de fôrma para o chocolate quente derramado por Rubinho na noite seguinte: 1 a 1. E assim começou a disputa entre os dois na Ferrari.

 Amanhã, segunda-feira, dia 10, irei aqui de casa, em Nice, para Madonna di Campiglio. Na realidade, me encontro com o grupo de jornalistas no aeroporto de Malpensa, em Milão, às 13 horas. E de Nice até Malpensa são cerca de 3 horas e meia de carro. De Malpensa seguiremos num miniônibus até Madonna. A autoestrada nos leva apenas a Brescia. Depois, é uma estradinha estreita, longa e tão lenta quanto linda até chegarmos a Madonna, localizada a cerca de 1.600 metros de altitude.

 Há na cidade, situada num vale dos Alpes, muitas pistas de esqui, das mais simples, da cor azul, às mais complexas e perigosas, da cor negra. A infra-estrutura de Madonna para a prática desse belíssimo esporte é extraordinária e custa menos do que se pode imaginar. Não é uma atividade econômica, mas está longe de ser proibitiva também.

 Em Madonna teremos a oportunidade de conversar informalmente, em alguns momentos, com Fernando Alonso e Felipe Massa. Com Stefano Domenicali essas oportunidades são maiores.

 O que mais me chama a atenção quanto aos pilotos, em 2011, será a impressionante interatividade exigida, com a introdução da perigosa variação do ângulo de incidência do aerofólio traseiro. Mais: a volta do Kers, agora na sua segunda geração, com mais liberdades na geração de potência que em 2009, quando foi introduzido na Fórmula 1.

 Enfim, teremos muito o que conversar este ano, já na pré-temporada, em que o regulamento representa imensa novidade para todos. O chamado ground school dos pilotos, aprendizado antes de iniciar na pista o emprego dos vários novos recursos, será extenso e, mais de em outros anos, cuidará da segurança: não será permitido errar no emprego do aerofólio móvel. Bem como o equipamento deverá ser, necessariamente, preciso.

 Grande abraço, amigos. É gostosa a sensação de estar de volta. Até Madonna di Campiglio!

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