Mais informações sobre a vitória de Bruno Senna em Mônaco

liviooricchio

23 de maio de 2008 | 12h29

23/V/08
Livio Oricchio, de Mônaco

Como sempre acontece no GP de Mônaco, ontem não houve atividade de pista para a Fórmula 1. Hoje será disputada a importante sessão de classificação da sexta etapa do Mundial, com transmissão ao vivo pela TV Globo, a partir das 9 horas. Mas o que não faltou no circuito do principado, ontem, foi emoção. E emoção forte. Bruno Senna venceu a etapa da GP2, a ante-sala da Fórmula 1, à lá Ayrton Senna. Logo na largada assumiu a liderança para não perdê-la até a bandeirada, na 45ª volta, como seu tio fez na maior parte das suas seis vitórias no GP de Mônaco. “Espero que esta seja a primeira de muitas conquistas aqui”, disse Bruno que, com o resultado, se aproximou ainda mais da Fórmula 1.

Bruno, a irmã e empresária Bianca, a mãe Viviane, seu namorado, Arthur, e os integrantes da equipe ISport celebraram a vitória com uma festa em frente o pódio, junto de muitos torcedores nas arquibancadas. “A associação com o que o Ayrton fez aqui é inevitável”, disse Viviane, emocionada. “Não tenho palavras para descrever minha felicidade”, falou Bruno. Apesar de estar sempre em primeiro, foi pressionado pelo segundo colocado em boa parte da prova, o venezuelano Pastor Maldonado, da Piquet Sports, tanto que Bruno cruzou a linha de chegada com uma vantagem de apenas 674 milésimos de segundo.

“Minha estratégia era abrir dele, o que estava conseguindo, para não correr riscos no pit stop, mas com tantas bandeiras amarelas ele encostou. Mesmo com os pneus gastos, como estava, ele não me passaria, aqui não”, contou Bruno. A imagem de Ayrton lhe veio à mente, mas não no pódio. “Ontem eu fui dormir lembrando como ele tomava a primeira curva, como era agressivo. Eu não precisei, larguei bem, apenas defendi minha posição.”

O vencedor nas ruas do principado costuma capitalizar. Bruno, no entanto, parece ter os pés no chão quanto ao seu futuro. “Eu necessito vencer aqui e em outras pistas, tenho muito a provar. Deixa eu ganhar o campeonato para aí, então, a gente conversar.” Pragmática, Bianca não esconde que o resultado a ajudará a aproximar o irmão da Fórmula 1. “Não poderia ser num lugar melhor, irão, agora, olhar o Bruno com maior atenção, vão compreender sua maturidade.”

Ayrton foi convidado do príncipe Rainier II em 1987, 1989, 1990, 1991, 1992 e 1993. Domingo à noite Rainier, já falecido, convidava os vencedores do GP de Mônaco de Fórmula 1 para jantar no seu castelo. A tradição é mantida por seu filho, Albert II, sucessor no trono. Viviane lembrou-se daqueles tempos inesquecíveis também para a torcida brasileira. “Todas as corridas são importantes, claro, mas esta é especial por toda simbologia que tem, representa a carreira do Ayrton e agora outro Senna vencer aqui é inexplicável.” Viviane ligou para sua mãe, a mãe de Ayrton também, dona Neide: “Ela chorou no telefone comigo”.

Viviane disse ter sentido exatamente a mesma coisa de quando Ayrton competia: “A mesma aflição, angústia, alegria, foi como se estivesse revivendo tudo novamente”, contou, com os olhos marejados. “É uma recompensa para o Bruno. Na Turquia passou por uma situação incontrolável, bater num cachorro a 280 km/h”, comentou a mãe, apreensiva.

Hoje, às 11 horas (horário de Brasília), será disputada a sexta etapa do campeonato, em Mônaco mesmo. Os oito primeiros colocados invertem o grid. Assim, Bruno larga em oitavo e Mike Conway, da Trident, oitavo ontem, em primeiro. A previsão é de chuva. “Gosto de correr no molhado, sempre fui muito rápido, apesar de ser bem difícil aqui em Mônaco”, afirmou Bruno. Como o resultado de ontem, Bruno passou para a vice-liderança da GP2, com 22 pontos, diante de 24 do italiano Giorgio Pantano, da Racing Engineering. Dois outros brasileiros disputaram a prova, ontem. Diego Nunes, da DPR, terminou em 15º e Alberto Valério, da Durango, abandonou.

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