Massa: 'A pressão não vem da Ferrari, mas de mim mesmo.'

liviooricchio

14 de janeiro de 2011 | 12h05

14/I/11

Livio Oricchio, de Madonna di Campiglio

 Primeiro foi o presidente da Ferrari, Luca di Montezemolo, em dezembro, que cobrou de Felipe Massa melhor desempenho em 2011. E quarta-feira, o diretor geral da equipe, Stefano Domenicali, afirmou: “Esse campeonato é importantíssimo para Felipe.” Ontem, Massa conversou com os jornalistas e afirmou: “A pressão por melhores resultados não vem de Montezemolo ou de Domenicali, mas de mim mesmo.”

  Desta vez a direção do time italiano deixou Felipe Massa e seu tão competente quanto controverso companheiro, Fernando Alonso, para falar por último no evento de Madonna di Campiglio, na Itália. “Pressão externa sempre existiu”, disse Massa, “desde que estou na Ferrari.” Como sua escuderia, Massa comentou saber muito bem ter disputado uma má temporada em 2010, em que Alonso obteve cinco vitórias e ele, nenhuma. É verdade, também, que Massa foi obrigado a deixá-lo vencer na Alemanha.

  “Como acontece com todo esportista, é possível ter-se um ano ruim. Há temporada que alguns jogadores de futebol também dizem não dar nada certo”, disse Massa. O importante, comentou, é saber o que se passou. “Os novos pneus Bridgestone, em especial os dianteiros, não permitiam que eu freasse como e onde gosto, ou mesmo acelerasse no momento que faço. Eles faziam o carro perder aderência na frente, o que para meu estilo não funciona.”

  Massa lembrou que Kimi Raikkonen chegou na Ferrari, em 2007, foi campeão e todos só falavam dele. É o caso agora de Alonso, que por pouco não conquistou o título, em 2010, e se transformou no que parece ser o principal piloto da Ferrari. “Mas em 2008, um ano depois do Kimi vencer, eu só não fui campeão por um detalhe. Espero que ocorra o mesmo agora.”

  O teste com os novos pneus da Fórmula 1, fornecidos agora pela Pirelli, é o principal responsável pelo contagiante estado de espírito de Massa. “Meu primeiro contato foi muito positivo. Achei o carro mais fácil de guiar, os pneus dianteiros têm maior aderência, pude fazer a frente entrar na curva como gosto de pilotar.” Nos dois dias de treinos em Abu Dabi, em novembro, Massa ficou com o melhor tempo.

  No fim da conversa, a imprensa italiana desejou saber sua opinião sobre o caso Cesare Battisti, a razão de o governo brasileiro não extraditá-lo. “Olha, ficar preso lá no Brasil não é nada agradável”, respondeu Massa, como quem diz, ‘a punição está sendo dura’. Provocou gargalhada na sala de coletivas. Battisti está preso preventivamente na Penitenciária da Papuda, em Brasília.

 Já Alonso garante não estar mais pensando na profunda frustração que teve na última corrida de 2010, em Abu Dabi, quando perdeu o título para Sebastian Vettel, da Red Bull.  E prevê um ano, talvez, com um pouco menos de dificuldades. “Quando eu cheguei na Ferrari tive de me adaptar a um carro já pronto. O deste ano também atenderá minha maneira de pilotar.” Com uma frase de efeito, procurou retirar de si a concentração de atenções da Ferrari. “Eu me considero um líder da equipe, mas não o líder.”

  Embora a relação com Massa seja fria, distante, depois dos desgastes de 2010, Alonso elogiou o companheiro: “Tomara eu venha a lutar o título com ele, seria uma demonstração de que a Ferrari tem um grande carro.” Falou mais da relação: “Precisamos um do outro.” O trabalho de desenvolvimento do carro cabe aos dois. “Confio nele, somos como um piloto e duas pessoas nos testes.”

  Os dois seguem para Maranello, sábado, a fim de iniciar no avançado simulador da Ferrari o programa de adaptação aos novos recursos, este ano, como o sistema de recuperação de energia (Kers) e o aerofólio traseiro móvel. “Teremos de desenvolver a capacidade de pilotar no automático para poder prestar atenção em todas essas novidades”, explicou Alonso. Massa foi mais crítico: “É coisa demais para fazermos além de pensar em pilotar o carro.”

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