Massa, agora à lá Prost

liviooricchio

24 de setembro de 2008 | 16h47

Amigos, esse é o texto da coluna que escrevo no Jornal da Tarde. Penso ser válido reproduzi-lo aqui.
Abraços!

Alguém que tenha assistido apenas às duas primeiras etapas do campeonato, na Austrália e Malásia, e depois voltou a acompanhar a competição nas duas últimas provas, Bélgica e Itália, encontraria dificuldades para compreender que o carro número 2 da Ferrari vem sendo conduzido pelo mesmo piloto.

Em Melbourne e Sepang, Felipe Massa representou o máximo do arrojo e pagou com dois abandonos, decorrentes de erros. Já em Spa-Francorchamps e Monza, tudo o que Massa não demonstrou foi exatamente interesse em correr riscos elevados. Viu os adversários se digladiando lá na frente e manteve-se na sua, comportamento oposto do início da temporada.

Dentro da própria Fórmula 1 houve que relacionasse a pilotagem de Massa nas duas últimas etapas com a de Alain Prost. Talvez seja a maior transformação que um piloto possa ter experimentado na carreira: de profissional acusado de manter elevado índice de equívocos a ser contestado por ser, de repente, cauteloso, reflexivo, interessar-se bem mais na disputa do título que no resultado imediato em si, independente do que pensa a torcida.

São quase dois pilotos distintos. Mas é o mesmo Felipe Massa. E deverá ser essa versão mais comedida, madura, sem desprezar seus excepcionais dotes de velocidade, que Massa assumirá nas quatro provas que restam para o encerramento do campeonato. “Somar pontos será fundamental”, afirmou ainda na Bélgica.

A etapa do fim de semana, em Cingapura, será numa pista desconhecida por todos. O traçado sugere ser lento. A Ferrari andou muito bem, este ano, na Hungria e em Mônaco, o que dá a Massa, provavelmente, as mesmas possibilidades de seu maior adversário, Lewis Hamilton, da McLaren. Já no dia 12 de outubro, no Japão, as indicações são elevadas de que será realizada com chuva. Hamilton esteve extraordinário ano passado e tende a se dar melhor.

Na sequência, o calendário apresenta China. Kimi Raikkonen, com Ferrari, venceu em 2007. E depois Interlagos, onde o time italiano parece ser superior à McLaren. O quadro, portanto, é bom para Massa. Está mais consciente, desenvolveu melhor sua visão global de competição e a Ferrari dispõe de belo conjunto. Suas chances de ser campeão são mesmo reais.

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