Massa busca patrocínio para permanecer na Fórmula 1

liviooricchio

19 de setembro de 2013 | 11h59

19/IX/13
Cingapura

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Felipe Massa repetiu para a imprensa internacional, basicamente, nesta quinta-feira, no circuito Marina Bay, em Cingapura, o que vinha dizendo desde que ouviu de Stefano Domenicali, dois dias depois do GP da Itália, que não teria o contrato renovado com a Ferrari. Mas para os jornalistas brasileiros fez declarações surpreendentes. Por exemplo: junto com o grupo que o assiste, não esconde estar procurando patrocinadores para se manter na Fórmula 1.

“Quero ter o carro mais competitivo possível. Não estou interessado apenas em estar no grid e sair na foto (todos os pilotos juntos). E há equipes com possibilidades de fazer um carro competitivo e com espaço, estamos trabalhando”, disse o piloto. Não há nenhum mal em se adequar à realidade da Fórmula 1, na sua visão. “Faz parte ajudar algumas equipes financeiramente. Não quero dizer que vou levar dinheiro do meu bolso, o que nunca faria, sou piloto profissional, ganho para correr e continuará sendo assim”, afirmou.

“Mas posso usar o meu ótimo relacionamento para encontrar uma empresa que queira fazer parte de um projeto de marketing global, como há tantas no Brasil”. Se encontrar os investidores, Massa acredita que será bom não apenas para si. “É importante nos unirmos para manter o que a gente já tem na Fórmula 1. Como disse, tenho ainda muito a mostrar e minha vontade é gigante.”

Ao que parece, a contratação de Massa pela Lotus, ou mesmo outra escuderia, está condicionada a levar consigo patrocinadores. Pela primeira vez o piloto citou outros times, sem mencionar a McLaren, como havia feito anteriormente. Com a mudança radical do regulamento para 2013, mesmo equipes sem grandes recursos, acredita-se na Fórmula 1, poderão produzir um carro potencialmente vencedor. “Williams, Force India, Sauber, todas são capazes de fazer esse carro”, acredita Massa, sugerindo que negocia também com as três.

TV Globo, decisiva

Para o projeto dar certo, a TV Globo, detentora dos direitos exclusivos de transmissão da Fórmula 1, tem de fazer a sua parte, diz Massa. Ele não cita diretamente a emissora, mas não esconde que seria de grande importância contar com sua força. “É preciso o envolvimento de todos.” O sucesso da iniciativa pode ter desdobramentos positivos, segundo disse, para o próprio automobilismo brasileiro. A definição de seu futuro não deve se arrastar por muito tempo, acredita o piloto.

Os oitos anos como titular da Ferrari, a temporada como piloto de testes e as três que trabalhou com a Sauber fizeram de Massa um homem feliz, apesar de nesse momento lutar para seguir sua trajetória na Fórmula 1. “Não sou um homem frustrado. Queria, claro, ter sido campeão com a Ferrari e quase fui. Só tenho a agradecer. De quando comecei no kart, penso que fui além do que imaginava. Mas a gente sempre quer mais, não?”

E se não der certo o projeto de seguir na competição em 2014 não será o fim do mundo. “Como falei, sinto que tenho ainda muito o que oferecer. E vou lutar até o fim para conseguir mostrar. Mas se não der, não sou do tipo que vai rastejar e pedir pelo amor de Deus para correr.”

Ainda não pensou na hipótese de não acertar com Lotus, Williams, Force India e Sauber, pelo que contou as escuderias por quem poderá prosseguir na Fórmula 1. “Há categorias que me interessam, com a DTM (o conceituado Campeonato Alemão de Turismo). Não acredito que irei para os Estados Unidos correr na Indy. E se não der para correr por uma categoria que eu goste posso ficar um ano parado e curtindo a vida.”

A sua substituição na Ferrari, confessou, não o surpreendeu. “Para dizer a verdade, eu já imaginava que o caminho seria esse.” Massa chama Domenicali de amigo, não apenas diretor da Ferrari. “Conversei com ele na terça-feira depois de Monza, no seu escritório. E não fiquei triste. Contrataram um grande piloto para o meu lugar. Agora tenho de buscar novos caminhos, desafios. É um momento que se encerra.”

Seu melhor ano no time italiano foi o de 2008. Raikkonen, o companheiro, havia sido campeão na temporada anterior, estava desestimulado. Massa liderou o grupo. “Foi o ano do vice-campeonato. Vou tentar liderar novamente agora outra equipe, fazer o que fiz na Ferrari, sem dúvida o meu melhor na Fórmula 1.”

Antes disso, tem pela frente sete etapas até o encerramento do campeonato. A começar pelo GP de Cingapura, cujos treinos livres começam amanhã, às 7 horas, horário de Brasília. “Seria sensacional terminar a temporada com uma vitória, vou tentar ao máximo”, afirmou.

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