Massa, coadjuvante de Alonso

liviooricchio

26 de setembro de 2010 | 19h48

26/IX/10

Amigos, esse é o texto de minha coluna nesta segunda-feira no Jornal da Tarde

Felipe Massa deve torcer muito para as exigências aos pilotos na próxima temporada serem distintas das deste ano. O fornecedor de pneus da Fórmula 1 será a Pirelli, em substituição a Bridgestone, os carros não mais estão sendo concebidos ao redor do duplo difusor, como este ano, e o sistema de recuperação de energia (Kers) vai estar de volta, dentre outras novidades.
O fato é que a Fórmula 1 de hoje parece não ter feito nada bem para Massa. Ele próprio justifica boa parte da diferença de desempenho para o companheiro de Ferrari, Fernando Alonso, com as características dos pneus. É a mesma alegação de Michael Schumacher por ter 46 pontos diante de 122 do seu parceiro de Mercedes, Nico Rosberg, 76 pontos de diferença. Massa soma 128 e Alonso, 191, diferença de 63.
Com quem conversamos na Fórmula 1, piloto, engenheiro, dirigente, a alegação de ambos é procedente. Mas tenho minhas dúvidas se tudo pode ser justificado dessa forma. A corrida de Massa, ontem, por exemplo. Permaneceu a maior parte do tempo atrás de Nico Hulkenberg, da Williams. Massa tem o mesmo equipamento de Alonso. A Ferrari pode ser acusada de impor ordens de equipe, mas não de não colocar a disposição dos seus dois pilotos carros iguais.

Alonso comprovou que o time poderia ser muito rápido, ontem. Mas não vimos uma única tentativa de Massa ultrapassar o adversário, nem quando seus pneus estavam ainda novos, no início da prova. O que se está assistindo é uma diferença desmedida de competência entre os dois pilotos da Ferrari.

A imagem positiva de Massa, depois de 2008, quando apenas pelo acaso não foi campeão, está arranhada. No ano passado, as dificuldades técnicas da Ferrari eram tantas que não houve como julgar seus pilotos e Massa, também, se acidentou.

Pneus com outras características e carro novo, de reações diferentes. Tomara que esse cenário, em 2011, relance Massa como piloto potencialmente campeão. Hoje, não passa de mero coadjuvante de Alonso.

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