Massa, contra a parede, diz: "Aprendi muito mais com o Schumacher".

liviooricchio

04 de outubro de 2007 | 18h47

04/X/07
GP da China
Livio Oricchio, de Xangai

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Três pilotos se apresentaram no GP da China com chances de serem campeões do mundo: Lewis Hamilton e Fernando Alonso, da McLaren, e Kimi Raikkonen, Ferrari. O favorito da maioria para conquistar o título está fora da luta pelo campeonato na penúltima etapa da temporada: Felipe Massa.

Ontem, no circuito de Xangai, apesar de frustrado por ter apenas de assistir à disputa entre os três pilotos, não demonstrava nenhum abatimento. Aproveitou para afirmar que, apesar de reconhecer os méritos de Lewis Hamilton, “todo mundo desejava vê-lo campeão” e citou a punição a Robert Kubica, depois de um toque com o inglês, em Fuji, como exemplo de proteção ao piloto da McLaren.

Estado (E) – Como é ser o primeiro a cair fora da luta pelo título depois de ser considerado o favorito para conquistar o campeonato?

Felipe Massa (FM) – Com quatro pilotos e quatro carros competitivos, o vencedor no final é quem soma pontos quando não ganha. Não é porque eu fui o primeiro a sair da luta que fiz um trabalho pior que os outros. É fruto de uma combinação de resultados negativos. Tive meus problemas (na pilotagem), mas também muitas dificuldades mecânicas. Comecei o ano com elas. O Alonso teve uma prova ruim, agora no Japão, e ficou quase de fora da luta pelo título. Eu passei várias vezes por essa situação. Essa é a diferença.

E – Num certo sentido, o Brasil fechou com você este ano, como há muito não fazia com um piloto. Mas muitos o vêem ainda com desconfiança. Aquela coisa do tipo “em algum momento esse cara vai aprontar das suas”.

FM – Sei que tenho muitos fãs. Venho crescendo bastante no meu ritmo, profissionalmente em geral. Sempre haverá o fã que torce e os que fazem brincadeiras de mau gosto. Alguns destes, quando você vence também fica feliz. Mas se cheguei num nível em que sou criticado é porque as pessoas se preocupam comigo. Meu problema não é esse, mas o desafio de continuar evoluindo. Assimilar, claro, a crítica que pode te ajudar e dar risada das besteiras.

E – Você disse que agora que a temporada está terminando, a Ferrari deve compreender bem o que causou a perda do campeonato e atacar os pontos fracos, no caso a pouca confiabilidade do F2007. E você, que pontos você atacaria em você mesmo para estar em melhores condições de ser campeão?

FM – O balanço do ano para mim é muito bom. Sempre fui bem rápido, tive participações de altíssimo nível, sou o piloto com mais pole positions. Mas tive o lado negativo, como no Canadá em que não respeitei o sinal vermelho na saída de box. Culpa minha? Sim, mas não só minha. Na Hungria também. Não tive responsabilidade alguma em sair dos boxes sem gasolina. Foi um problema da equipe toda. Errei sozinho na Malásia, ao tentar fazer uma ultrapassagem (sobre Hamilton), mas faria de novo. É melhor você ser agressivo a ficar no seu lugar esperando a sorte.

E – Você citou o exemplo do Canadá. Acabou excluído da corrida por entrar na pista com o farol vermelho na saída de box e domingo, no Japão, cumpriu um drive-through por ter ultrapassado o Nick Heidfeld durante o safety car. Você não lê o regulamento?

FM – Não é questão de ler ou não o regulamento. No Japão eu dei um 360 (rodada completa), um carro me ultrapassou e na minha cabeça seria normal retomar minha posição, circunstâncias de uma corrida cheia de problemas. No Canadá, o farol já deveria estar verde porque os carros tinham passado a linha de chegada, conforme a própria FIA admitiu.Tem sempre o lado do “ah, ele não enxerga…mas há o lado da federação também, que comete seus erros. Me puniu em Fuji, mas não puniu o Hamilton que criou um problema muito grande na hora do safety car. Eu tinha de ser punido, mas muita gente também.

E – A Ferrari cometeu algumas trapalhadas este ano, como te mandar para a classificação sem gasolina e largar com pneus intermediários, no Japão, quando o obrigatório era o pneu de chuva intensa. Até essa nova organização funcionar esses problemas são naturais?

FM – Cometemos alguns erros, sim, mas no Japão não tínhamos a informação da obrigatoriedade, parece incrível. Ficamos sabendo depois de a corrida começar.

E – O Michael Schumacher faz falta na Ferrari e onde este ano ele mais poderia ter ajudado a equipe?

FM – Era um líder, trazia motivação, bastante experiente. Não dá para dizer que perdemos o campeonato por causa disso. Só lembrando, com ele e o Ross Brawn na equipe também perdemos o Mundial, da mesma forma enfrentando problemas mecânicos. Ele é um piloto completo e tem sorte.

E – Como tem sido trabalhar com o Kimi Raikkonen?

FM – Meu companheiro (Schumacher) era o mais completo, dificilmente quem chegasse seria tão bom. Tinha certeza absoluta de que o Kimi nunca me massacraria (comentava-se que Raikkonen seria bem mais eficiente que Massa); ao contrário, sempre soube que poderia andar na frente, embora esperava que ele fosse ser competitivo o tempo todo, como é. Aprendi muito mais com o Schumacher, até também por estar chegando na equipe.

E – Se o Fernando Alonso sair da McLaren, o Hamilton dará conta do recado sozinho?

FM – Os dois são muito fortes e ajudam bastante a equipe. Vai facilitar muito para quem ficar. Agora, a McLaren tem muito a perder com a saída do Alonso e ficará muito mais difícil para o Hamilton.

E – O regulamento muda em 2008, a principal novidade será a proibição do controle de tração. Como será?

FM – Não sei, eu nunca guiei um carro de Fórmula 1 sem controle de tração, pode ser interessante, mais difícil, mas penso que apesar de proibido há outras áreas em que é possível trabalhar para obter o mesmo efeito, como no gerenciamento eletrônico do motor. Na chuva podemos até a experimentar situações mais perigosas. Ele traz segurança no molhado. Talvez tenhamos acidentes mais sérios.

FIM

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