Massa dá nova mostra da sua força este ano

liviooricchio

13 de fevereiro de 2007 | 18h36

O tempo ajudou bastante o trabalho das equipes, hoje, terça-feira, no Circuito da Catalunha, em Barcelona, e a maioria simulou corridas, o treino mais importante nesse estágio da sua preparação. E, nessas condições, as mais importantes, Ferrari e Renault demonstraram que não foi por acaso que dominaram a última temporada.

Felipe Massa estabeleceu com a Ferrari F2007 o melhor tempo do dia para os 4.655 metros do novo traçado catalão. O dado mais significativo do resultado é que Massa simulou um GP, com dois pit stops e tudo, e marcou 1min21s181 ao final de uma série de 19 voltas. No total, completou 107 voltas, enquanto um GP na pista teria, agora, 66 voltas.

A força da Ferrari fica evidente também no segundo tempo de Kimi Raikkonen, 1min21s719, da mesma forma que Massa, ao final de uma série de 19 voltas. O finlandês deu nada menos de 154, ou 2,3 GPs. Ao menos no teste de hoje, Massa e Raikkonen tinham seus carros em condições e momentos no circuito bem semelhantes. E Massa saiu-se melhor. É um ótimo começo para o piloto que mais evoluiu na segunda metade do ano passado.

Minha fonte em Barcelona comentou: “Impressionante o ritmo que a Ferrari e a Renault conseguem imprimir na simulação. Volta rápida atrás de volta rápida, 10, 15, 20, seguidas.” Luis Vasconcelos, jornalista português, também acompanha o treino coletivo. Junto de meu amigo Gary Anderson, ex-diretor-técnico da Jordan, atual comentarista da TV irlandesa, foi para o meio da pista, atrás dos muros, como faço aos sábados de manhã nos fins de semana de GP. Aprende-se muito.

“A McLaren e a BMW desenvolveram carros muito velozes, mas hoje ficou claro que na hora da corrida a Ferrari e a Renault estão ainda na frente. Por pouco, mas mais avançados”, disse Anderson. O terceiro mais rápido ontem foi o estreante Heikki Kovalainen, da Renault, com 1min21s819 (99 voltas), enquanto o competente Fernando Alonso, com a McLaren MP4/22, o quarto, 1min21s901 (63). A seguir dois pilotos dessas equipes: 5º Giancarlo Fisichella, Renault, 1min21s997 (129) e 6º Lewis Hamilton, McLaren, 1min22s078 (118). Em 7º ficou Robert Kubica, da BMW, 1min22s100 (56).

O resultado desta terça-feira na Espanha representa um retrato próximo da realidade da Fórmula 1 hoje, na condição de corrida: Ferrari, Renault, McLaren e BMW, ainda que McLaren e BMW dão a entender desfrutar melhor da primeira volta do pneu Bridgestone, o que lhes dá certa vantagem nas classificações. Todo o restante está atrás. E até um pouco mais atrás do que se imaginava em princípio. Mas são quatro times na frente, o que, se confirmado na Austrália, Malásia e no Bahrein, as três primeiras etapas, como parece, será ótimo para a Fórmula 1.

A velocidade do projeto do F1.07 da BMW não é sempre acompanhada de resistência. Hoje tanto Kubica quanto Nick Heidfeld, seu companheiro, apenas o 12º, 1min22s618 (92) enfrentaram problemas no sistema hidráulico. E foram responsáveis por algumas paralisações do teste. Com a perda de pressão no sistema, que trabalha com pressões na casa dos 220 quilos por centímetro quadrado, para que se tenha uma idéia, o câmbio deixa de funcionar.

Li no site da Autosport inglesa declarações de Gerhard Berger que, para ele, a BMW pode vir a ter papel importante no desenvolvimento da luta pelo título. Não sei se tudo isso, mas ganhar uma ou outra prova faz sentido acreditarmos ser possível.

A Honda de Rubens Barrichello e Jenson Button não realizou um bom treino, a exemplo dos ensaios de Valência e Jerez de la Frontera. “É nítida a fala de aderência do RA107” comentou Gary Anderson. Rubinho completou 85 voltas, com 1min22s669 na melhor, o 13º, e Button, 91 voltas, com 1min22s816, com 1min22s816.

A Toyota ja treina com os componentes internos do câmbio produzidos pela Williams, como parte do acordo entre as duas escuderias. A Williams compete com motor Toyota. Jarno Truli registrou o 8º tempo, 1min22s227 (96). Nico Rosberg, com o Williams FW29, andou pouco, 11 voltas, por pane hidráulica. Alexander Wurz, 55 voltas, com 1min22s288, o 10º. “O verdadeiro potencial do FW29 ainda é desconhecido porque tanto Nico quanto Wurz não deram séries seguidas de 20 voltas, o melhor parâmetro para compreender o que pode fazer nas corridas”, explica Vasconcelos.

A grande capacidade de Adrian Newey ainda não se refletiu na velocidade do Red Bull RB03. Mas ao menos Mark Webber e David Coulthard já conseguem treinar sem interrupções demais. Hoje o australiano deu 83 voltas e o escocês. 50. Tempos: 1min22s916 para Webber, 15º, e 1min23s322 para Coulthard, 16º.

A Super Aguri não treinou com o carro que utilizará, ou seja, a eficiente versão do RA106 da Honda do fim da último campeonato. Anthony Davidson completou 97 voltas, com 1min23s969, o 17º. Já a Spyker deu sequência aos trabalhos de desenvolvimento do seu novo carro, F8-VII, equipado com motor Ferrari. Christjan Albers conseguiu 108 voltas, com1min24s425, o 18º.

A temperatura ambiente variou de 9 a 17 graus e a do asfalto, de 9 a 23 graus. Repare que no instante de maior calor o asfalto não passou de 23 graus. Fico pensando com os meus botões se os resultados de testes como o de hoje se repetirão na Malásia e em Bahrein, por exemplo, quando o nosso computador na sala de imprensa informar que o asfalto vai estar a 57, 58, 59 graus Celsius. É quase três vezes o experimentado hoje. De qualquer maneira, serve de referência para as etapas da Europa, ainda que lá também regularmente as pistas ultrapassam os 35 graus.
Voltamos a nos falar amanhã!

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