Massa deve voltar o mesmo à F-1

Estadão

17 de agosto de 2009 | 13h20

Amigos, esse é o texto da coluna desta segunda-feira no JT

Tive a oportunidade, no domingo, de uma longa e gostosa entrevista com Felipe Massa, por telefone, junto dos demais três veículos de imprensa que mantiveram repórter no Hospital Militar de Budapeste, além da TV Globo, no período de sua internação. Falei por telefone por estar em Nice, na França.

Ele se encontra muito bem, fala como quem não passou pelo sério acidente na Hungria, mas reconheceu que hoje não daria para pensar em voltar a correr, apesar da enorme vontade. Como não esqueço de uma explicação de Niki Lauda a respeito do seu acidente em Nurburgring, em 1976, perguntei para o Felipe Massa se não tinha receio de sentir o mesmo.

Lauda é hoje comentarista da TV alemã e se mostra sempre disponível para atender os jornalistas que têm contato no paddock há muitos anos.

Disse que sentou na Ferrari em Monza, 40 dias depois de quase morrer pela inalação dos gases da combustão da Ferrari, e não conseguia acelerar. Foi tomado, literalmente, pelo “medo”. Completou uma volta e regressou aos boxes.

Na sua cabeça, tudo se definiria ali. “Ou venço hoje essa sensação horrível ou minha carreira acabou”, afirmou. Lauda voltou para o cockpit, acelerou para valer, terminou a corrida dois dias depois em quarto, na temporada seguinte ganhou outro título com a Ferrari e em 1984, na McLaren, conquistou o terceiro Mundial.

Conhecendo a personalidade de Felipe Massa – sem presunção, por favor, mas o vejo correr da época do kart -, eu me surpreenderia muito se o acidente na classificação do GP da Hungria o alterasse como piloto.

Aposto minhas fichas que retornará o mesmo: veloz, como sempre foi, e de uns anos para cá constante, regular, de erros raros, em resumo um grande piloto que, se tivesse sido campeão do mundo, ano passado, o título estaria mais do que bem representado.

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